Entidades de todo o mundo advertem sobre a difícil saída das crises
Crise global – O sistema econômico mundial enfrenta um tsunami de crises entrecruzadas – social, econômica, ambiental e sanitária – que está repercutindo nos trabalhadores e em suas famílias, independentemente do país em que vivem e do nível de desenvolvimento da economia nacional. A recuperação se apresenta muito mais difícil do que as crises anteriores.

O prognóstico sombrio está no Resumo Econômico do 5º Congresso Mundial da Central Sindical Internacional (CSI), realizado na cidade australiana de Melbourne. A CSI congrega mais de 250 confederações sindicais de todo o planeta.
O documento, elaborado por analistas internacionais, ressalta que o mundo assiste a uma espiral descendente de crescimento econômico, que segue junto com uma escalada dos preços dos bens e serviços que servem de base para o custo de vida dos trabalhadores; a isso se somam limitações na capacidade produtiva; uma distribuição de renda regressiva; crescimento da dívida dos estados, empresas e lares; que se traduz (uma vez mais diante de conjunturas críticas) em numerosas companhias sendo pressionadas a despedir empregados e cortar salários.
Muitos líderes políticos e instituições internacionais recorrem a respostas macroeconômicas ortodoxas, que no passado já demonstraram que em lugar de contribuir para solucionar os problemas, somente levam ao aumento do nível de desigualdades globais, além de reduzir ainda mais a qualidade de vida e as oportunidades de emprego dos trabalhadores e trabalhadoras no mundo inteiro.
Inflação
O primeiro sinal de tudo isto foi um enorme incremento dos preços que provocaram a duplicação das taxas de inflação, até no último trimestre de 2021, iniciando uma “bola de neve” que impactou nas perspectivas de crescimento econômico posteriores.
Os transtornos e incrementos de preços de importantes matéria-prima, especialmente na alimentação e energia, que se agravaram logo depois do início da guerra na Ucrânia no início deste ano ano, vieram se somar às consequências da pandemia de Covid-19, agravando os problemas das cadeias mundais de suprimento, que já vinham se acumulando ao longo da última década.
Depois de vários meses de agravamento das crises, os trabalhadores e suas famílias descobriram que a narrativa otimista de crescimento global divulgada pelos centros mundiais de poder depois da crise financeira de 2008, não passou de uma ilusão, disse a CSI.
As consequências dos aumentos nos preços dos produtos essenciais da cesta básica de bens e serviços para os trabalhadores e suas famílias – alimentação e energia – coincide com a alta concentração e o poder do mercado de gigantes comerciais que mostram o comportamento mais monopolista, tanto a nível internacional como local em inúmeros países.
















