Chile – FISUR 2022 destaca os novos desafios para o setor lácteo
Desafios – Com grande entusiasmo pelo retorno aos eventos presenciais, Sergio Niklitschek, presidente do Consorcio Lechero, deu as boas vias ao “Encontro dos Produtores de Leite”: Oportunidades para a Atividade Leiteira, que ocorreu durante a Feira de máquinas, equipamentos e pecuária (FISUR-2022), em Osorno no Chile.

Na palestra proferida por Sergio Niklitschek, presidente do Consorcio Lechero,“Tendências do Mundo Lácteo”, o médico veterinário destacou que estamos em uma indústria com perspectivas de um bom futuro.
“Dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento (OCDE) e da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) destacam que o crescimento da demanda na próxima década aumentará 1,4% ao ano e é maior do que qualquer expectativa de aumento da produção. É sempre bom estarmos em uma indústria onde a demanda cresce mais do que a oferta”, comentou
Niklitschek acrescentou que nos últimos 30 anos foram vistas mudanças importantes na cadeia de alimentos em geral, desde o setor primário ao industrial, com as quais a maioria dos campos duplicaram sua produção por hectare.
“Vimos, no entanto, que isto já não é suficiente. Hoje, além de ser eficientes na produção, temos que ser sustentáveis. Até pouco tempo víamos como algo distante, mas já chegamos neste futuro. E muitos se perguntam, porque ser sustentável? Existem muitas razões: entre elas a exigência dos consumidores para que sejamos sustentáveis, que nos preocupemos em não contaminar o meio ambiente, que olhemos o bem-estar animal, entre outros aspectos”.
A emissão de CO2 na atmosfera é outro tema que nos afeta. “As vacas leiteiras respondem por 2,9% das emissões do mundo. Temos o desafio de fazer nossa parte e reduzir as emissões e no contexto latino-americano estamos muito avançados”, comentou Niklitschek.
“Como setor leiteiro abordamos estes temas. No Consorcio Lechero começamos em 2015 a trabalhar neste sentido. Estivemos recentemente na Índia e no Congresso da Fepale e o tema da sustentabilidade é chave. Trabalhamos como um setor integrado e estamos no caminho certo”, comentou.
Mercado Lácteo
A segunda palestra da jornada foi de Vicente Urcelay, gerente da Cooperativa Agrícola e Leiteira Campos Australes, que fez uma análise em relação às demandas do setor e da indústria, e as oportunidades que surgem.
“As regras mudam para nós, os atores mudam, mas na medida em que soubermos aproveitá-las, podem ser transformadas em oportunidades”, explica Urcelay.
Acrescenta que a demanda continua crescendo a taxas maiores do que a captação do Chile, que encontra-se estagnada, e às vezes até diminuindo, “por isso nosso mercado está encolhendo. Existem atores que trabalham muito bem, sem dúvida. A Colun, por exemplo, cresceu 4% ao ano, de forma sustentável, nos últimos 15 anos”, comentou.
O executivo acrescentou que, a nível internacional, a demanda e produção estão caindo, e o Rabobank projeta para o próximo ano, uma queda de preços.
O preço pago ao produtor do Chile é bastante baixo em relação aos pagamentos realizados nos mercados internacionais, com diferenças significativas.
Integração vertical
Urcelay lembrou a origem de Campos Australes que nasceu em Sago junto com a Manuka, em 2016 com produtores da regiões de Los Ríos e Los Lagos com a ideia de formar uma associação para dar valor e potencializar a produção local.
“Em 2019 nos transformamos em Cooperativa. Hoje contamos com 45 membros, alcançando 400 milhões de litros; representando 18% da produção nacional com cooperados que produzem até 150 mil litros por ano. Campos Australes comercializa o leite de seus sócios para 8 indústrias, atualmente são: Nestlé, Valle Verde, Prolesur, Surlat, Lactalis, Lácteos Quilacoya, Lácteos Chauquén e Quesos Runca”, acrescentou.
Além de vender competitivamente, foi potencializado o desenvolvimento de temas como a sustentabilidade, capacitação, integração vertical e compras conjuntas.
“Nosso desafio é a integração vertical, ou seja, processar nosso leite e convertê-lo em produto acabado. Para isso procuramos potenciais sócios estratégicos que poderão ficar responsáveis pela industrialização e comercialização do produto”, explicou.
Urcelay disse que o setor lácteo está “todo por fazer”. “Existe uma demanda crescente e pode fazer com que o Chile participe de todo o mercado lácteo, não somente no país”.
















