UE – O que esperar dos mercados de carne e leite em 2032?
Perspectivas 2032/UE – Volatilidade extrema nos preços de insumos e produtos, Covid e guerra na Ucrânia nos fizeram lembrar nos últimos anos que nada é completamente previsível.

O que não significa que não devemos fazer planejamentos. Por isso, a comissão europeia apresentou as perspectivas dos mercados de leite e de carne na União Europeia (UE) em 2032.
Sem surpresa, o plantel, tanto de leite como de corte, deverá diminuir, 10% para o primeiro – sobretudo nos sistemas intensivos, muito impactado pela alta dos custos de insumos – e de 6% para o segundo. Assim, a produção de carne bovina deverá cair 9% na UE, embora permaneça superavitária. Na verdade, o consumo de carne por habitante/ano, de todas as categorias juntas, deverá cair 1,5 kg até 2032, chegando a 66 kg. As carnes bovina e suína serão as mais afetadas por essa queda, com -0,8 kg e -1,3 kg, respectivamente, enquanto o consumo de aves deverá aumentar +0,7 kg.
Sempre mais queijos
As perspectivas para os produtos lácteos é um pouco menos negativa, setor em que haverá queda de 0,3% por ano até 2032, e isto partindo “de um nível bastante elevado que foi alcançado durante a crise do Covid-19”, explica o relatório. O consumo de queijo continuará aumentando ligeiramente, acompanhando o aumento da produção, e será estável para manteiga e iogurte. O consumo de leite é que terá uma queda mais acentuada. É provável que as preferências dos consumidores mudem. “Um estudo recente deixou evidente a preferência de jovens entre 18 e 35 anos por produtos lácteos desnatados, com menos açúcar ou ainda menos alérgenos. Existe ainda uma forte demanda por produtos lácteos enriquecidos com vitaminas e minerais”, aponta o relatório.
A ligeira queda no consumo de produtos lácteos, deverá então coincidir com a da produção de leite. De fato, o crescimento da produtividade do leite na próxima década não será suficiente para compensar a diminuição do rebanho leiteiro, e a produção deverá cair 0,2% ao ano até 2032.
“A sustentabilidade continuará tendo um papel importante na produção de leite”, diz o relatório, que estima também que os contratos de qualidade e os modelos de agricultura orgânica continuarão se desenvolvendo. Segundo o relatório, "o crescimento de sistemas baseados em pastagens e orgânicos contribuirão para melhorar os componentes do leite, sobretudo de matéria gorda. No entanto, os caprichos climáticos e seus impactos sobre o conforto animal assim como sobre a qualidade das pastagens poderá atenuar os ganhos”. Desta forma, o aumento de proteína e matéria gorda deverá ficar limitado a 0,1% ao ano.
Aumento da produção de leite mundial
Sim, dentro da UE, a produção de leite terá a tendência de queda, o que, provavelmente, não será o caso no resto do mundo. Na próxima década, a produção mundial de leite continuará aumentando ao ritmo de 2% ao ano. Os países da Ásia e África contribuirão com quase um terço desse crescimento. Esses países adotaram ações para melhorar sua autossuficiência. No entanto, apesar desses esforços, e considerando o crescimento da população e da renda, os países dessas regiões continuarão sendo os principais importadores mundiais de lácteos na próxima década. As importações devem ser menores, e de um tipo diferente. A produção maior de leite fará com que os países da Ásia e África tenham menores necessidades de produtos tais como leite em pó integral ou desnatado. Ao contrário, “as importações de queijo ou de soro de leite podem diminuir, enquanto as de manteiga sobem”, esclarece o relatório.
A UE continuará exportadora
A UE permanecerá ocupando o primeiro lugar nas exportações mundiais, junto com a Nova Zelândia, cada uma representando 24% das exportações mundiais de lácteos.
Os Estados Unidos ganharão espaço no mercado, passando de 13% em 2022 para 17% em 2032, em decorrência do aumento de sua produção de leite.
A UE exportará uma parte da sua produção de carne bovina, que será excedente. As exportações serão cada vez mais em cortes de carne, e não mais de animais vivos, por duas razões: aumento da concorrência de países terceiros e preocupações com o bem-estar dos animais durante o transporte.
Por fim, o relatório apresenta previsões dos preços até 2032. Embora esteja cheio de incertezas, dada a volatilidade dos últimos anos e os eventos imprevisíveis, a comissão prevê uma estabilização do preço da carne, em torno de € 4/kg na UE em 2032.
Para o leite “um novo equilíbrio dos mercados deve ocorrer até 2025, e os preços, a partir de então, subirão ligeiramente”, estima o relatório. Assim, o preço do leite chegará a € 450/1000 litros em 2032, [R$ 2,55/litro]. “Esse preço cobrirá os custos de produção e permitirá criar um valor agregado”, esclarece o relatório.
















