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Globalização E Mercosul Selectus nº 6561

Argentina – Estima-se a importação de 10 milhões de toneladas de soja

Soja/AR – Os cálculos são alarmantes e mostram que este ano a Argentina não terá apenas menor disponibilidade de dólares pela queda da produção de soja, mas que também deverá importar um volume recorde de grãos para abastecer a indústria de processamento da oleaginosa.

Fonte: Fonte: ámbito – Tradução livre: www.terraviva.com.br | Foto de capa: Photo by Merve Aydin on Unsplash
Argentina – Estima-se a importação de 10 milhões de toneladas de soja

O país é líder mundial nas exportações de soja, óleo e farelo de soja e é por isso que o setor e a economia se encontram em uma grande encruzilhada.

O líder da RIA Consultores, Javier Preciado Patiño, que ocupou até bem pouco tempo o cargo de subsecretário de Mercados Agropecuários, explica em entrevista ao Ámbito: “Entre 2016 e 2022, no ano comercial (abril/maio) foram processadas, em média, 40,8 milhões de toneladas. Se a isso descontarmos 1 milhão de toneladas declaradas de extrusão, significa que serão necessárias 39,8 milhões de toneladas para triturar. As novas estimativas da Bolsa de Cereais de Buenos Aires projetam que a colheita de soja será de apenas 33,5 milhões de toneladas, descontando os grãos que são guardados para semente, extrusão e uso não declarado teríamos 29,3 milhões de toneladas disponíveis para triturar e exportar. No entanto, assumindo que não se exporte um só grão de soja como tal, seriam necessárias 5,2 milhões de toneladas para chegar ao nível de 2017/18. E para alcançarmos a média de 39,8 milhões de toneladas faltariam mais de 10 milhões de toneladas”.

Logicamente que a indústria exportadora buscará manter seus níveis históricos de produção para atender seus clientes e não perder sua posição competitiva nos mercados internacionais, mas esse cenário complicará a balança comercial argentina. Em antecedente mais próximo a esta situação no ciclo abril 2018/março 2019 quando foram importadas 7,2 milhões de toneladas e para este ano o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) já está antecipando que se deveriam comprar do exterior umas 6,2 milhões de toneladas, volume que já ficou desatualizado com as novas perdas produtivas.

A pergunta que faz Preciado Patiño, é se o Mercosul tem soja disponível para abastecer a Argentina de matéria-prima suficiente para cobrir essa situação. Então o analista explica: "O Paraguai vai recuperar sua produção, que será entre 8,5 e 9 milhões de toneladas, e o maior volume será exportado para o seu principal destino: Argentina. O Brasil está prevendo uma colheita de 153 milhões de toneladas e terá soja suficiente para abastecer nosso país”. Mas em 2022, diante da falta da colheita paraguaia, surgiram o Uruguai e a Bolívia, que cresceram como fornecedores. Para resolver a questão, deveriam ser mantidos os níveis de 2022, recuperando o Paraguai e somando mais o Brasil. Em suma, existe a necessidade da indústria importar soja para manter suas atividades, e estoques de exportação no Mercosul. A questão será decidida em função das margens de esmagamento”.

Mas Preciado Patiño alerta sobre uma questão fundamental no médio e longo prazo: “A soja é o principal complexo exportador da Argentina e o que mais gera divisas. É indispensável que haja um acordo público, privado e da política que possibilite aumentar a produção desta leguminosa para um total de 60 a 65 milhões de toneladas, mantendo a área cultivada, mas com aumento da produtividade. Menor volume de soja, seja devido à redução da área plantada, queda da produtividade ou ainda por questões climáticas, é um problema para a Argentina”.

Geadas e falta de chuvas

Neste quadro de extrema preocupação, o setor de processamento de soja, um dos que mais divisas trás para o país, vem trabalhando com capacidade ociosa durante anos. Novas projeções para a colheita de soja e milho foram divulgadas esta semana, e são mais más notícias.

Concretamente, a Bolsa de Cereais de Buenos Aires projetou a produção de 33,5 milhões de toneladas, mostrando uma queda de 4,5 milhões de toneladas em relação à projeção anterior. As geadas do último fim de semana associadas à falta de chuva nas plantações devem gerar mais perdas. Pelo mesmo motivo a colheita de milho seria apenas de 41 milhões de toneladas, ou seja, 11 milhões a menos do que o ciclo anterior. Finalmente, para piorar, pode haver mais quebra de safra porque as chuvas continuam sem chegar à zona central e ainda se aguarda para a primeira semana de março uma tempestade de intensidade moderada.  

Acesse aqui a matéria na íntegra

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