Câmara Árabe integra comitiva de Lula à China e Emirados
Câmera Árabe - A Câmara de Comércio Árabe Brasileira fará parte da comitiva que acompanha o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, em viagem à China e aos Emirados Árabes Unidos. Lula embarca para a China no domingo (26) e terá agenda em Abu Dhabi, a capital dos Emirados, no dia 31 de março, antes do retorno ao Brasil.

O CEO e secretário-geral da Câmara Árabe, Tamer Mansour (foto acima), integra o grupo que viaja com o presidente, que terá ainda líderes de outras entidades, empresários, governadores, senadores, deputados e ministros.
“A participação da Câmara Árabe na missão à China tem forte relação com dois de nossos grandes projetos, que são o Halal do Brasil e a implementação da rastreabilidade de produtos”, afirmou Mansour. A Câmara Árabe leva adiante com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) um projeto que tem como meta inserir mais alimentos com valor agregado do Brasil no mercado mundial halal. A instituição também pretende oferecer rastreabilidade, via blockchain, para produtos com certificação halal que serão exportados, permitindo que o produto possa ser acompanhado desde a sua origem, seja no campo ou na cidade, até o ponto de consumo.
Apesar da China não ser um país de maioria muçulmana, ela é o maior destino de produtos com certificação halal exportados pelo Brasil, de acordo com informações de Mansour. Durante a missão, o secretário-geral quer encontrar parceiros chineses que atuem no mercado halal local e possam oferecer expertise aos exportadores brasileiros sobre as exigências da China para a compra de halal. Sobre a rastreabilidade, que é um projeto no qual a Câmara Árabe está trabalhando com certificadoras brasileiras de halal, Mansour afirma: “Por que não começar com um grande importador, que é a China?”. A ideia é oferecer a tecnologia de rastreabilidade dos produtos aos chineses.
A demanda da China por alimentos halal é de US$ 20 bilhões ao ano e os consumidores muçulmanos no país somam 26 milhões de pessoas, segundo um levantamento realizado pelo Departamento de Inteligência de Mercado da Câmara Árabe. Boa parte desse consumo está na região de Ningxia, no noroeste chinês, onde há fortes conexões culturais, religiosas e comerciais com países muçulmanos. A China também é produtora de halal, ocupando a posição de quinta maior exportadora de alimentos halal para países da Organização para a Cooperação Islâmica (OIC, na sigla em inglês), atrás de Brasil, Índia, Estados Unidos e Rússia.
Na China, o presidente Lula terá, entre outros compromissos, reuniões com o presidente Xi Jinping, com o primeiro-ministro, Li Qiang, e com o presidente da Assembleia Popular Nacional, Zhao Leji, em uma pauta sobre comércio, investimentos, reindustrialização, transição energética, mudanças climáticas e acordos de cooperação e paz. A comitiva empresarial terá também agenda especial no país voltada para negócios. O Brasil é o maior exportador de produtos agropecuários para a China, segundo informações do governo brasileiro.
Emirados Árabes Unidos
A Câmara Árabe também acompanha a comitiva presidencial em sua passagem nos Emirados, país no qual a instituição costuma estar presente em visitas brasileiras de alto nível. “Tivemos um excelente ano de 2022, em exportações e importações, com os Emirados Árabes Unidos”, afirmou Mansour para a ANBA. As exportações brasileiras ao país aumentaram 40% no ano passado, para US$ 3,2 bilhões, e o fornecimento dos Emirados ao Brasil cresceu 157% e alcançou US$ 2,5 bilhões. “Mas tivemos pouco investimento privado”, diz. O secretário-geral acredita que a viagem pode ser uma oportunidade para explorar mais essa possibilidade, indo além dos investimentos de fundos soberanos e olhando para áreas como segurança alimentar e energia renovável.
A viagem de Lula aos Emirados responde a um convite do presidente do país árabe, Mohammed bin Zayed Al Nahyan. Durante a passagem de Lula pelo país, os dois vão se encontrar para tratar de assuntos da pauta bilateral, como comércio, investimentos, transição energética, mudança climática e segurança mundial, além da atuação dos Emirados Árabes Unidos e do Brasil no Conselho de Segurança das Nações Unidas como membros não permanentes, segundo informações divulgadas para a imprensa pelo Ministério das Relações Exteriores brasileiro.
Nos dois países, Mansour participa da agenda da comitiva empresarial que acompanha o presidente. O secretário-geral atribui o convite recebido para integrar a missão às parcerias que a Câmara Árabe tem travado com diferentes órgãos e pastas do governo federal brasileiro, entre elas a ApexBrasil, com a qual desenvolve o projeto Halal do Brasil. “A ApexBrasil enxerga a importância da Câmara Árabe além das fronteiras dos 22 países árabes e acreditou que podemos fazer um trabalho para promover o valor agregado brasileiro”, diz. O projeto Halal tem ações previstas não apenas nos países árabes, mas também de outras nações com consumo halal, como África do Sul e Malásia.
















