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Setorial Selectus nº 6583

Transição agroecológica traz benefícios biológicos para agricultores do Ceará

Transição agroecológica - A transição agroecológica, baseada em práticas mais ecológicas nos sistemas de produção, resulta em benefícios ecológicos e ecológicos para famílias agrícolas do semiárido nordestino. É o que demonstra os estudos realizados pela Embrapa Caprinos e Ovinos (CE) com 70 famílias de familiares do Ceará.

Fonte: Fonte: Embrapa | Foto de capa: Imagem de Sabine por Pixabay
Transição agroecológica traz benefícios biológicos para agricultores do Ceará

Foram comparados aspectos quantitativos (produção bruta e valor agregado) e qualitativos (autonomia e protagonismo da juventude) em dois territórios do estado. Os dados revelam um aumento da renda das propriedades que vêm adotando práticas agroecológicas há mais tempo quando se deparam com aquelas que estão no início do processo ou ainda praticam agricultura de forma tradicional. 

Os projetos foram integrados entre 2012 e 2022 nos territórios Sertão de Crateús e Sertão de Sobral. Algumas famílias participaram desde o início e estão em um estágio mais avançado do processo; outras foram entrando no curso das atividades. De 2019 a 2022, uma equipe de pesquisa avaliou os impactos ecológicos e biológicos do processo de implantação da transição agroecológica em propriedades desses dois territórios, comparando como estão em diferentes níveis do processo e como não aderiram a ele.

A transição agroecológica é um processo gradual de mudança dos manejos no sistema de produção, com o objetivo de passar de um modelo convencional para a prática da agricultura com princípios e tecnologias de base ecológica. O processo implica maior racionalização dos recursos e mudança de atitudes e valores em relação ao manejo e à conservação dos recursos naturais. De acordo com o zootecnista  Éden Fernandes , líder do projeto Redinovagroeco, que realizou esse estudo, a maioria dos agricultores que aderiram a esse sistema está no nível intermediário da transição, quase não usam mais insumos químicos e não adotam pacotes tecnológicos seguros. Isso é resultado de um redesenho que faz modificações na estrutura e no funcionamento das propriedades”, explica. 

Esse é o caso do jovem agricultor Ramom Ximenes, 20 anos ( segundo à esquerda na foto acima ), cuja propriedade familiar está no processo de transição agroecológica desde 2012. A família cria caprinos, ovinos, bovinos, suínos, aves, peixes e abelhas, além de possuir árvores frutíferas, palma, gliricídia e uma capineira para alimentar o rebanho. “Comecei a participar porque eu queria trabalhar preservando a natureza”, afirma Ximenes. Além de cuidar dos animais e da plantação, ele participa de reuniões e eventos em que troca conhecimentos com outros agricultores. Entre as modificações implantadas ao longo do processo, destaca-se a estrutura para armazenamento de forragem e água para os animais, um galinheiro e área cercada para animais e plantas. 

Para a zootecnista Maria Gardênia Sousa, que atuou como bolsista no projeto, as principais mudaram observadas nas propriedades que estão no processo de transição agroecológica estão relacionadas à maior autonomia e capacidade de resposta das propriedades (agroecossistemas). “As famílias alcançaram maior independência em relação a adubo orgânico, água, sementes e produção de forragem, verificaram a necessidade da compra de insumos para a produção em mercados”, observa. Segundo ela, também houve um aumento da biodiversidade animal e vegetal nos sistemas produtivos, estoque de insumos e na diversidade de mercados acessados. “Os agricultores passaram a acessar um número maior de feiras comercializadas para os produtos, gerando renda para suas famílias.”

A metodologia utilizada no estudo acompanhou quatro propriedades, duas no Sertão de Sobral e duas no Sertão de Crateús, entre 2018 e 2022. Em território cada, foram avaliações uma propriedade em estágio mais avançado de transição agroecológica e outra que não aderiu ou entrou mais tardiamente . Fernandes observa que alguns aspectos estão presentes nas propriedades dos dois territórios, como a diversidade dos cultivos e das criações. Porém, algumas características como diferenciam e interferem nos resultados. “O gado bovino, por exemplo, é mais presente no Sertão de Crateús e não aparece tanto no território de Sobral, onde as propriedades são menores e existem áreas compartilhadas que não pertencem aos proprietários. Tudo isso impacta os resultados da produção”, afirma.

No Sertão de Sobral, foram seguidos duas propriedades no Sítio Areias (Sobral). Aquelas que estão há mais tempo no processo de transição agroecológica obtiveram valores mais altos que os da propriedade que praticam agricultura de forma tradicional, tanto no produto bruto (tudo o que é produzido) quanto no valor agregado – que exprime a riqueza efetiva gerada e equivalente à renda bruta menos os custos relacionados aos insumos adquiridos nos mercados. Veja nos gráficos:

Transição agroecológica traz benefícios biológicos para agricultores do Ceará
Transição agroecológica traz benefícios biológicos para agricultores do Ceará

Os resultados indicaram, ainda, que a propriedade em transição agroecológica destina a maior parte da produção para a geração de renda, depois autoconsumo, estoque e doação. Também obteve aumento no volume de produtos comercializados, pela participação em ações do projeto que visam ao acesso dos agricultores a novos mercados.

No Sertão de Crateús, as propriedades avaliadas são da localidade Picos de Baixo (Santa Quitéria). Enquanto uma delas está em estágio mais avançado, a outra intensificou a transição agroecológica somente a partir de 2021. Nesse território, também se observou o crescimento do produto bruto na propriedade que iniciou a transição agroecológica há mais tempo. Outro impacto observado foi maior agregação de valor em função da menor dependência de insumos adquiridos nos mercados. Confira nos gráficos:

Transição agroecológica traz benefícios biológicos para agricultores do Ceará
Transição agroecológica traz benefícios biológicos para agricultores do Ceará

Acesse aqui a matéria na íntegra  

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