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Especiais Selectus nº 6589

AR – Vacas ordenhadas por robôs: O futuro já chegou

Tecnologia/AR – Ordenhar as vacas com robôs é uma tendência mundial e uma realidade concreta na Argentina. Desde 2015, as vendas de robôs se multiplicaram e estima-se que atualmente existam mais de 200 em funcionamento.

Fonte: Fonte: agrositio – Tradução livre: www.terraviva.com.br | Foto de capa: Photo by Owen Beard on Unsplash
AR – Vacas ordenhadas por robôs: O futuro já chegou

A inovação tem vantagens para produtores e animais, que vão desde melhorar a qualidade de vida das pessoas até a saúde, o bem-estar e os índices produtivos do rebanho. Ainda que o interesse pela automação seja crescente e a expectativa é de que ocorram mais vendas em um futuro próximo, especialistas da Faculdade de Agronomia da Universidade de Buenos Aires (FAUBA) alertam que por uma questão de custos, a incorporação da tecnologia deverá desacelerar no longo prazo.

“Desde que foi instalada a primeira ordenha com robô, em 2015, no Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA) Rafaela, em um projeto liderado pelo engenheiro agrônomo, Miguel Taverna, técnicos e produtores se deram conta de que era factível implementar esta ferramenta. Estimamos que até hoje tenham sido vendidos uns 200 robôs, o que não equivale a 200 fazendas leiteiras, já que calculamos que cada uma delas tenha em média 4 robôs”, comentou Luis Millapán, docente da cátedra de produção de leite da FAUBA.

Que aspecto tem e o que faz um robô? Segundo Millapán, o modelo mais difundido é conhecido como brete simples, com capacidade para ordenhar uma vaca por vez. Em seu interior, um braço com distintos sensores registra distintos parâmetros produtivos essenciais para manejar a fazenda. Por outro lado, realiza as mesmas tarefas que um ordenhador convencional, incluindo a limpeza. O docente acrescentou que também existem outros modelos, com 5 robôs que podem fazer até 1.600 ordenhas por dia. Este modelo foi pensado para fazendas com um número de vacas entre 400 e 600.

“Como no brete simples somente pode ser ordenhada uma vaca por vez, e a quantidade de ordenhas por robô é limitada a 150. Trabalhando com 100% da capacidade, um robô pode ordenhar 75 vacas por duas vezes ao dia ou 50 três vezes. Por esta razão as fazendas grandes, com maior capacidade econômico-financeira, possuem vários robôs”, acrescentou Luís, que também é estudante de doutorado na Escola de Graduação da FAUBA.

Mais baratos, mas ainda caros

“O custo desta tecnologia sempre foi uma preocupação para os produtores. Se bem que ainda seja cara, é bem menos do que 20 ou 30 anos atrás. Hoje, um robô de ordenha custa US$ 120 mil, e é preciso acrescentar outros componentes como portas inteligentes, software e serviços técnicos anuais. A realidade mostra que as fazendas que têm acesso a robôs, o conseguiram através de créditos bancários e estratégias comerciais das empresas que operam no país”, disse Millapán.

O docente destacou que além da questão financeira, para que um robô funcione corretamente também precisa de boa conexão de internet para receber e enviar dados em tempo real, um gerador de energia alternativo no caso de haver corte de luz e um estabilizador de tensão para que as variações não danifiquem os inúmeros sensores e componentes eletrônicos.

Nem todos os produtores de leite argentinos podem se beneficiar com um robô, por diferentes problemas e tamanhos de suas fazendas. Portanto, é importante avaliar com cuidado se o investimento se ajusta às suas necessidades e possibilidades, e considerar alternativas mais eficientes e econômicas. Apesar disso, a tendência mundial do setor leiteiro é adotar tecnologias avançadas, e na Argentina, algumas fazendas estão procurando este caminho para assimilar vantagens para os produtores e animais.

Múltiplos benefícios

Luis Millapán afirmou que o robô melhora a qualidade de vida ao liberar as pessoas de tarefas rotineiras das fazendas convencionais, onde as pessoas realizam ordenhas diariamente com muito esforço físico, e muitas vezes em condições climáticas adversas. Um robô, ou uma ordenha automática beneficiam tanto as pessoas como as vacas. Neste tipo de fazenda, o produtor cumpre uma jornada de 6 a 8 horas de trabalho, similar a qualquer trabalho na cidade, o que rompe com o esquema tradicional em que a primeira ordenha começa 3 horas da manhã e pode afetar a vida social e pessoal dos trabalhadores.

“Em geral, o perfil do operário de uma ordenha com robô é muito diferente do tradicional. Uma de suas tarefas principais é supervisionar o desempenho do robô em um computador. Ao terminar sua jornada, volta para sua casa, e se ocorre algum problema com o robô, recebe um alarme em seu celular. Muitas vezes, inclusive, pode solucionar o problema remotamente”, acrescentou o docente.

Quanto aos animais, Millapán destacou que a robotização permite, por exemplo, ter um controle da qualidade da linha de leite, ajuda a detectar o cio das vacas – melhorando o manejo reprodutivo – ou determinar o grau de estresse térmico em épocas de calor. Assim, a tecnologia permite se antecipar às necessidades individuais de cada animal e gerenciar mais eficientemente o rebanho.

Presente e futuro

“Em escala global, hoje as empresas privadas apostam em aumentar a quantidade de ordenhas por módulos, agregando novos sensores e tecnologias ao robô. Um exemplo são os contadores automáticos de células somáticas, algo verdadeiramente revolucionário. Contagens elevadas indicam infecções por mastite, a principal doença em fazendas leiteiras de todo o mundo. Contar com essa informação em tempo real é fundamental”, observou Millapán.

Em todo o mundo, a adoção de robôs de ordenha vem seguindo um padrão similar: no início, somente umas poucas fazendas adotam, mas logo que se comprova a eficácia, as vendas se multiplicam. Segundo o docente, a Argentina está em uma fase inicial de expansão e desconhece qual é o teto que pode ser alcançado. Em algum momento a taxa de adoção cairá e também reduzirá a quantidade de fazendas leiteiras que incorporam robôs.

“Em suma, a implementação de robôs de ordenha e outras ferramentas de bem-estar animal pode ter um impacto significativo na qualidade e quantidade de produção de leite, assim como na saúde e bem-estar dos animais, além de melhorar a qualidade de vida de quem faz ordenha”, concluiu.  

Acesse aqui a matéria na íntegra

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