Argentina– Os guardiões do doce de leite de Villa Maria lançam o Conselho Mundial do Doce de Leite
Doce de leite/AR – Você está lendo “doce de leite” e as sensações começam a ser deliciosas. A cor, o sabor, a textura, tudo indica que este, é o lácteo mais distintivo da Argentina. É um produto que só de pensar faz você sorrir, te faz feliz e sobretudo, dá vontade de comer.

Não somente durante a pandemia o tivemos como um alimento fundamental, mas quem realmente sabe como fazê-lo com todas as suas características começou a se organizar para dar-lhe o respaldo institucional, normativo e técnico que merece.
Hernán Allasia é um apaixonado pelo tema, tem mestrado em Tecnologia de Alimentos, é engenheiro e doutor em Agro alimentos, é de Villa María e foi quem liderou a iniciativa para “defender o caráter genuíno do doce de leite”.
O que começou como um intercâmbio em um grupo de WhatsApp há dois anos, no qual foram incluídos especialistas no tema não somente de nosso país, mas também do Uruguai, França, Itália, Espanha, Japão, Colômbia, Equador, República Dominicana, Venezuela, Chile, Paraguai e até Tanzânia, terá nesta quarta-feira um dia chave.
Será durante o Primeiro Concurso Nacional de Queijos, Manteiga e Doce de Leite que foi aberto hoje e irá até sexta-feira na Escola Superior Integral de Lácteos de Villa María. Participam mais de 400 produtos de 72 empresas. Este encontro permitirá o encontro de vários especialistas que trabalham na institucionalização, e poderão assinar atos para estabelecer como sociedade civil o Conselho Mundial do Doce de Leite.
São cerca de 70 integrantes, dos quais 17 no Conselho de Administração, que irão se interagir no espaço em reuniões mensais, conforme estabelecido em regulamento, e com tendência à profissionalização por meio de trabalhos concretos de consultoria e assistência técnica para obtenção de produtos de qualidade.
A partir de sua criação, o Conselho reunirá aqueles que têm vocação para trabalhar no doce de leite, com o objetivo claro de “defender o carácter genuíno do produto, que é feito com leite, açúcar, bicarbonato e xarope de glucose, com sabor de caramelo cozido e uma nota de leite”.
Um produto que tem diferentes versões, sobretudo na América, com diferentes denominações e que precisa de uma orientação para respeitar a base de produção, seja industrial ou artesanal.
Com a organização em comissões neste momento estará sendo trabalhado na análise das legislações nacionais para respeitar esses “regulamentos”, sobretudo em territórios onde não existem normas para o produto pontual, como é o caso da Argentina, com um detalhe muito concreto sobre o que o Código Alimentar Argentino estabelece como doce de leite.
É assim que este alimento considerado “patrimônio cultural”, tem a partir da comissão de Inovação e Desenvolvimento uma tarefa de “construir uma definição global de doce de leite para orientar a produção em cada país, que hoje, cada um tem sua receita”.
Allasia explica que “além do que ocorre na Argentina, o doce de leite tem suas particularidades em outros países e notavelmente está crescendo o consumo na Europa, um pouco menos na Itália, mas existem muitos empreendedores de sucesso na Espanha e França, por exemplo, e também nos Estados Unidos da América”.
Esta é uma tendência nos últimos anos e pode ser que muitos se tenham habituado ao sabor a partir da incorporação do gosto de uma grande empresa de sorvetes.
O Conselho Mundial do Doce de Leite terá sua sede em Villa María, mas o objetivo de sua criação é fortalecer o produto, bem como resguardar sua denominação frente a alimentos de base vegetal e sobretudo continuar promovendo-o como um acompanhamento ideal para elaboração de pastas em todas as suas variantes.
Hernán tem uma grande experiência como jurado de concursos, onde “o maior prêmio é encontrarmos com os colegas, vê-los, continuar aprendendo e sobretudo comendo doce de leite”.
“O doce de leite em nosso país foi mudando muito, porque o gosto do consumidor está evoluindo. Eu particularmente prefiro um doce de leite que vai para o lado das notas mais queimadas”.
Sem dar marcas, mas sabendo perfeitamente quais são os favoritos, o que Hernán Allasia recomenda é ir buscando entre todas as alternativas do mercado nacional, artesanal ou industrial, porque entre texturas, sabores e cores a oferta é muito ampla e em definitivo o que vale é que com uma colherada de doce de leite todos nos deliciamos e sentimos um dos gostos mais arraigados de nossa cultura gastronômica.
Hoje o Conselho Mundial do Doce de Leite inicia seu caminho formal para organizar da forma mais adequada o modo de elaborar um alimento com tantos usos quantas ofertas houver no mercado.
















