Argentina – Impacto da seca histórica
Seca/AR – Para analisar o impacto da seca histórica entrevistamos produtores individualmente, fizemos pesquisas e consultamos a Câmara de Contratistas Forrageiros (CACF). Este artigo é o resultado do nosso esforço em avaliar números e fazer estimativas que nos permitam quantificar o impacto que deixará como despedida o La Niña 2022-2023.

A silagem de milho é a ferramenta mais poderosa para o produtor de leite aumentar a produção. Diante da necessidade de aumentar a carga animal nas fazendas foram crescendo as superfícies de plantio de milho para ensilar. O milho é um cultivo que produz mais matéria seca digestível por hectare e ao colhê-lo o aproveitamento de forragem passa de 60% das pastagens para 90% do silo. A curva de produção está fortemente influenciada por este recurso e podemos vê-lo no seguinte gráfico da CACF, cujos dados publicados abrangem a campanha 21/22 e colocamos uma estimativa para a coluna 22/23:

O primeiro impacto deste evento Niña foi a perda de rendimento de cultivos (trigo, aveia, azevém), que apresentaram produções mínimas. O segundo impacto foi sobre o rendimento do milho, o que gerou uma enorme gama de situações que foram desde não ter colheita de milho da 1ª safra, até perdas de lotes inteiros do plantio tardio.
No gráfico seguinte estimamos uma evolução possível do nível de rendimentos, com base nos registros do Ministério da Agricultura (MINAGRI) em anos anteriores.

Combinando as informações dos dois gráficos podemos estabelecer uma aproximação das reservas 2023 que terão os produtores.

O impacto sobre os estoques será de -43% em volume, na comparação com o ano anterior.
Isto sem considerar os estoques do ano anterior. No entanto, são poucos os que ainda têm reservas que ultrapassem o mês de junho de 2023. Serão momentos muito graves. Ignoramos quantas fazendas continuarão produzindo e o faturamento irá despencar em um cenário de custos crescentes. Na série analisada existe uma relação de 0,42 litros de leite por quilo de silagem (com um máximo de 0,55 e mínimo de 0,31) ... fazendo as contas calculamos que em 2023 a produção de leite na Argentina poderá cair entre 20 e 35%! Bastante pior do que 2016.
O que pode ser feito para amortecer queda tão acentuada? Que comece a chover para fazer plantios de culturas e pastagens (para substituir a silagem) e o clima continue favorável, sem muito barro, nem demasiado frio, com boas produções de pastos. Também é imperativo que a relação preços relativos do leite com os concentrados se normalize... que 1 litro de leite possa comprar 2 kg de milho novamente... e que haja milho para dar às vacas!
















