EUA – O que a indústria de laticínios pode aprender com a indústria da saúde?
Tecnologias – Robôs, sensores, conexões, realidade virtual e mesmo a inteligência artificial (IA) são presenças diárias nos hospitais, unidades de cuidados e até mesmo em nossas casas.

Como a agricultura está encarando essas transformações e quais lições pode tirar?
Robôs
Todos os dias, mais de 3.000 amostras de sangue são transportadas por robôs no Hospital Universitário de Aalborg, na Dinamarca, da cabeceira das camas até os laboratórios, e esses mesmos robôs são encontrados nos corredores dos grandes hospitais da América. Os robôs são habilitados a fazer análises precisas de amostras através da manutenção de temperaturas estáveis durante o transporte sem se desviar de seu caminho ou mesmo se distrair no percurso.
Os robôs agrícolas estão sendo adotados de forma similar nas fazendas. Assumem a colheita, o plantio, a irrigação e outras tarefas manuais no campo. Estima-se que os robôs ordenhadores (ou mais precisamente, que permitem às vacas decidirem quando querem ser ordenhadas), limpando galpões e alimentando os animais, atendem mais de um milhão de vacas no mundo, avalia a AgriTech Capital.
Internet das coisas (IoT)
A tecnologia IoT, de dispositivos inteligentes como Fitbits e Apple Watches, estão mudando a rotina dos hospitais. Dispositivos vestíveis fornecem dados relevantes em tempo real para médicos e agentes de saúde, liberando equipes de monitoramento manual e constante.
Da mesma forma, a agricultura de precisão usa sensores para monitorar as condições do plantio quanto à umidade (irrigação eficiente), doenças, momento da colheita e outros fatores. Antes, estas tarefas consumiam tempo, um trabalho intensivo e frequentemente sujeitos a erros dos observadores. Agora, a IoT pode fazer análises precisas dos insumos e gerenciar as fazendas leiteiras, em tempo real, aumentando a precisão e liberando os produtores destas tarefas.
Exemplos visíveis disso no setor lácteo incluem os milhões de colares e brincos, e mais recentemente o equipamento inteligente ruminal SmaXtec que é a última tecnologia lançada para o mercado estadunidense de laticínios, e que já está sendo usado por centenas de milhares de vacas. Conhecer os movimentos das vacas, a produtividade e as condições de saúde antes que os problemas apareçam, representa uma economia de centenas de dólares por animal, por ano para um produtor de leite.
Inteligência Artificial (IA)
Os erros médicos resultam em custos de mais de US$ 2 bilhões anualmente para a indústria da saúde e a vida de mais de 200.000 pessoas. A IA pode ter um papel decisivo na eliminação disso. Erros causados pela fadiga, falha da memória e de experiência ou treinamento, e a desatenção podem ser reduzidos significativamente com a IA oferecendo suporte para a tomada de decisões.
Quais erros poderiam ser eliminados nas fazendas? Quando tantos conhecimentos precisam ser passados de geração a geração, a IA pode eliminar os erros humanos, fazer análises mais precisas dos dados, prever rendimentos, identificar potenciais desafios de saúde, otimizar a alocação de recursos e vincular as demandas aos preços do mercado. De fato, os cálculos da IA podem ter um papel fundamental na abordagem dos créditos de carbono e escassez de recursos. Big data e dados em nuvem também permitem aos fazendeiros lidarem com a complexidade real de lidar com as questões do tempo, genética, turbulências do mercado, o microbioma do solo, e a alimentação dos animais.
Lições para o Agro
O Banco Mundial apresentou preocupações sobre a substituição de trabalhadores por tecnologias, mas isto não está sendo visto nos hospitais. Não existem menos médicos, enfermeiros ou cuidadores.
O trabalho humano não é eliminado, ele muda. E espera-se que isso ocorra na agricultura.
Os trabalhadores das fazendas leiteiras serão recrutados para novas tarefas como análise de dados, engenharia de software e codificação. Uma pesquisa da McKinsey revelou que mais de 50% das grandes fazendas e cerca de um quarto das pequenas estão usando (ou planejando usar) tecnologias de precisão agrícola, criando trabalhos de alta qualificação, que só irão aumentar.
Qual a melhor forma de preparar a agricultura para essas mudanças? Reter e investir em talentos. A expectativa é de que os empregos agrícolas nos Estados Unidos da América aumentem apenas 1%. A agricultura sempre teve problemas com empregados. Mas, os executivos do grupo Kincannon & Reed disseram: “se era difícil encontrar bons trabalhadores antes, agora é muito mais”.
A automação pode ajudar. Tradicionalmente os trabalhadores deixam a agricultura devido aos baixos salários e condições difíceis. Se a automação substituir os trabalhos indesejáveis, a oportunidade será para trabalhos mais estimulantes e com melhor remuneração, que irão atrair e reter uma força de trabalho adaptada.
A retenção de talentos anda de mãos dadas com o investimento. Como observado no trabalho The Future of Agriculture, programas de educação e treinamento desenvolvem e diversificam uma força de trabalho flexível que evolui a cada inovação.
A tecnologia na fazenda oferece soluções para muitos problemas, mas se os produtores de leite puderem aprender com a indústria da saúde e investir na força de trabalho agora, essas tecnologias aumentarão a produtividade e os lucros.
A transformação da saúde é um roteiro para a Agricultura?
O uso de robótica, sensores, e IA para cultivar alimentos de forma mais eficiente, precisa e econômica dará acesso a alimentos sadios, e atenderá às demandas de sustentabilidade do consumidor, mudanças climáticas e escassez de recursos.
















