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Destaque Selectus nº 6612

Uruguai– O prejuízo com o desabastecimento vai além da perda da venda do leite fresco

Paralisação/UR – O comerciante que não tem leite fresco para vender quando uma medida sindical impede o abastecimento normal, perde muito mais do que a venda desse produto, destacou a El Observador, Daniel Fernández, presidente do Centro de Armazéns Varejistas, Baritas, Autosserviços e Afins do Uruguai (Cambadu).

Fonte: Fonte: El Observador – Tradução livre: www.terraviva.com | Photo by Mick Haupt on Unsplash
Uruguai– O prejuízo com o desabastecimento vai além da perda da venda do leite fresco

Depois das denúncias feitas pelos comerciantes na quarta-feira, Daniel Fernández lembrou que o abastecimento de quinta-feira foi “normal”, mas afirmou que “para o comércio local, o leite fresco é a cereja do bolo, é aquilo que nunca pode faltar”.

Ressaltou que se for considerado exclusivamente o lucro da venda do leite fresco, o comerciante até perde dinheiro, mas a “margem” é ínfima. “Ele recebe centavos de lucros e tem despesas associadas”, como o custo de resfriamento, sacolas, etc.

De qualquer forma, acrescentou, “o leite é responsável por outras vendas, porque as pessoas vão ao comércio comprar leite fresco e levam manteiga, açúcar, farinha, batatas..., mas se não tem leite fresco nesse comércio elas vão buscar em outro local e o cliente é perdido, pelo menos naquele dia, e pode ser que seja para sempre”.

Fernández destacou além disso, que outra coisa relevante para os varejistas e outros sócios da Cambadu: “Estão incrustados em todos os bairros, também naquelas zonas onde não existem outros pontos de venda habituais nos bairros”.

Acrescentou que o grande percentual de venda do leite fresco da Conaprole e de outras marcas se dá, precisamente, neste tipo de comércio, o de bairro, “onde se faltar o leite toda a venda do comércio é afetada”.

Desorganização dos caminhoneiros

Outro problema gerado, disse, quando existem os protestos sindicais é a distorção da saída do leite fresco das indústrias e sua distribuição para distintas regiões: o caminhão em vez de sair com 10 mil litros sai, com cinco ou seis mil litros e o caminhoneiro não pode ir racionando a entrega. Vai entregando o que vão pedindo, e existem comércio que recebem menos do que precisam porque é o que tinha no caminhão e em muitos casos, nem chega a entregar.

O leite em caixa

Quando se inicia o desabastecimento de leite fresco, em embalagens de saquinho, muitos comerciantes solucionam o pedido do cliente com leite de caixinha, um produto de maior vida de prateleira e com um preço mais acessível. Mas esse produto não tem grandes estoques no comércio de bairro, e aí também acaba rapidamente.

Fernández destacou outro detalhe: Depois de alguma medida sindical quando a distribuição recomeçar, existem as prioridades, como a entrega primeiro em hospitais e centros penitenciários, por exemplo, e a normalização dos estoques no comércio não é imediato.

Também acontece distorções no abastecimento, se o caminhão que vai para a distribuição não chega no horário habitual, quando muitos clientes já ficaram sem comprar seu leite fresco e isso é um problema para o comerciante, que já perdeu seu faturamento do dia.

Fernández admitiu que “é um assunto complexo, o sindicato tem suas razões, é um sindicato difícil, que nunca vive em paz, mas sem dúvidas entendo que existem pessoas que não tem nada a ver com isso e estão com problemas, como o comerciante, o produtor de leite e o consumidor”.

Acesse aqui a matéria na íntegra

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