UR – Sindicalista reconhece que o conflito é porque recusam multifuncionalidades e capacitação
Capacitação/UR – Em todos os cantos a sociedade sabe que o sindicato dos trabalhadores da Conaprole está em conflito, o que é seguido pelo agravamento da situação sem que as partes consigam algum entendimento, e foram estabelecidas operações padrão e paralisações de tarefas.

O resultado é que os produtores vêm o risco de sua produção, os distribuidores perdem venda, a sociedade se vê desabastecida em alguns produtos pontuais, os comerciantes não podem vender a mercadoria que não receberam de seus fornecedores e novas marcas reafirmam sua presença no mercado ocupando um lugar que foi facilitado pelo sindicato. O que fica claro em todo esse processo é que ninguém ganha nada e todos perdem. A Conaprole em primeiro lugar.
Luis Goichea, do sindicato dos trabalhadores da Conaprole, foi entrevistado pelo jornalista Horacio Jaume no programa Diário Rural (rádio Rural) onde explicou as razões das medidas sindicais.
Disse que o conflito “está instalado na Conaprole em decorrência da situação da planta de Rodríguez, onde a empresa não aceitou nenhuma das distintas propostas apresentadas por nós ao Ministério do Trabalho”, para resolver as discrepâncias geradas a partir da introdução da nova tecnologia.
“A Conaprole pretende modificar a forma de trabalho com a nova tecnologia e impor polivalência ou multifuncionalidade, algo que historicamente recusamos”, porque significa que “um trabalhador em sua jornada de trabalho realiza diversas tarefas que exigem demandas diferentes”.
“Sempre defendemos e temos um acordo com a empresa de que cada funcionário desenvolve sua tarefa em seu posto de trabalho, em sua atividade e se não houver trabalho, passa a realizar tarefas de menor valor”, mas querem que “os funcionários de distintos postos do setor UHT façam revezamento entre eles e aprendam distintas modalidades de trabalho. Esta é a raiz do conflito atual”, explicou.
Os representantes do sindicato e do Ministério fizeram diferentes propostas “para abrir os espaços”, mas todas as instâncias foram esgotadas e “chegamos no dia 9 de maio sem qualquer solução”.
Porque querem “impor” uma nova rotina, começamos a operação padrão e manifestações que implicam em duas horas de paralisação por turno, e assembleia geral do sindicato que será realizada quarta-feira, 17 de maio, se não houver alteração.
A NOVA MÁQUINA PRODUZ MUITO MAIS
Goichea continuou explicando que o setor UHT funcionava com “duas máquinas que ocupavam 32 empregados em dois turnos, um turno e meio de produção e meio para limpeza. Cada máquina produzia 6.000 litros por hora, ou seja, 12.000 litros por hora. Mas a máquina nova sozinha, produz 15.000 litros por hora, tem 6 saídas ao mesmo tempo, ou seja, tem muito mais ponto de controle, e é muito mais exigente”.
“A Conaprole propõe trabalhar com menos gente, mas o problema não é o número de pessoas, pois isso podemos negociar, mas é a forma de trabalhar”, porque querem empregados de lugares distintos “fazendo tarefas alternadas”.
“A máquina nova tem uns 15 metros, as anteriores tinham 2 metros. A nova tem uma série de controles: 6 bocas por vez, tem que chegar 24 lacres para a caixa sair bem, pois são 4 lacres por caixa, antes era só uma boca para controlar. Também você precisa controlar o papel porque 15.000 litros por hora você precisa trocar as bobinas com maior frequência. Todas estas tarefas são para um operador, não dando para ser feitas com duas pessoas, representando uma exigência muito grande”, descreveu.
O sindicato fez propostas para atender essas características, mas o ponto principal é que a Conaprole quer que haja multifuncionalidade. Quer que façamos diferentes tarefas simultâneas no mesmo dia e ao mesmo tempo, e essa mudança nada tem a ver com a incorporação de nova tecnologia.
“A multifuncionalidade é uma sobrecarga para o trabalhador porque implica treinamentos diversos e atenção muito maior, com esforço físico e mental muito maior. Entendemos que as pessoas não têm capacidades para atender 2 ou 3 tarefas simultaneamente de diferentes demandas”, opinou.
HORACIO JAUME: A IMPORTÂNCIA DE SE ADAPTAR AO MOMENTO
Ao comentar as explicações de Luis Goichea, Horacio Jaume as resumiu ao dizer que o sindicato da Conaprole “tem uma forma de trabalho que não quer alterar”, como disseram “fazemos assim e qualquer coisa nova será feita da mesma forma, sem modificar ou alterar nada”.
Antes tinham duas máquinas que produziam 6.000 litros cada e agora existe uma só máquina que produz 15.000, por hora e ao desenhar o modelo da máquina “o fabricante estabeleceu pontos essenciais de controle que devem ser observados, e a multifuncionalidade nasce porque se o operador precisar sair, outro funcionário deverá ocupar o posto em sua ausência. Goicheia diz que isso não pode ser, porque é multifuncionalidade”.
Para entender bem o nó do problema. “tomemos o exemplo do futebol. Podemos jogar futebol como nos anos 30, quando 5 marcavam os 3 centrais? Me lembro que havia jogadores que não desciam para sua área, e ficavam adiantados de onde distribuíam a bola”.
O futebol de hoje “é o mesmo jogo”, que o de 1930, “mas o sistema mudou e é preciso se adaptar ao momento”.
“As exigências fazem com que profissionalmente se assumam outras posições. O que fica claro é que precisam ser capacitados”, para fazer o trabalho de outras áreas. “Porque se são 20 trabalhadores e um tem de sair para comer, o outro tem que saber o que fazer e ocupar o posto do companheiro. Para isso a Conaprole oferece treinamento”, explicou.
“Entendemos que as exigências de determinada ferramenta requerem capacitação dos operadores. E este é o centro do problema que está parando a indústria”, destacou Horacio Jaume.
















