Desigualdade de renda no Brasil atinge menor nível histórico em 2022, revela pesquisa do IBGE
DESIGUALDADE - A desigualdade de renda no Brasil apresentou uma redução significativa em 2022, alcançando o menor nível da série histórica, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua – Todos os rendimentos 2022, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na última quinta-feira (11).

O rendimento médio mensal per capita do 1% da população mais rica foi de R$ 17.447, enquanto o rendimento médio dos 50% mais pobres foi de R$ 537. Essa diferença corresponde a uma razão de 32,5 vezes, uma redução em relação aos 38,4 registrados em 2021.
Embora a razão de 32,5 vezes seja a menor da série histórica, evidencia-se o alto grau de concentração de renda no país. Alessandra Brito, analista do IBGE responsável pela pesquisa, ressaltou que, embora a diferença tenha diminuído, ainda é um valor elevado. Apenas 1% da população possui rendimento mais de 30 vezes maior do que a metade mais pobre.
A redução da concentração de renda em 2022 ocorreu após um retrocesso em 2021. No primeiro ano da pandemia, em 2020, a participação de outras fontes de renda aumentou devido ao auxílio emergencial. No entanto, em 2021, o auxílio foi suspenso nos primeiros meses do ano e teve seu valor reduzido, revertendo esse movimento.
Em 2022, o valor mais alto transferido às famílias permitiu a redução da concentração de renda. No início do ano passado, o governo federal descontinuou o Bolsa Família e criou o Auxílio Brasil, com um valor de R$ 400, que foi posteriormente aumentado para R$ 600 no segundo semestre.
Um olhar mais detalhado sobre a parcela mais pobre da população revela que a metade mais pobre recebeu, em média, R$ 537 em 2022, um aumento de 18% em comparação a 2021. Esse aumento reflete também os maiores valores dos programas de transferência de renda, que beneficiaram essa parcela da população.
O índice de Gini, que é um indicador de desigualdade, também registrou uma queda em 2022. Ele passou de 0,544 em 2021 para 0,518 em 2022, atingindo o menor valor desde 2012. Quanto mais próximo de 1 o índice, maior é a desigualdade de um país. O resultado ficou abaixo também de 2019, antes da pandemia.
O aumento do rendimento médio mensal per capita ocorreu em quase todas as classes de rendimento, especialmente nas faixas mais pobres da população, contribuindo para a redução da desigualdade. Os 5% mais pobres viram sua renda média mensal per capita crescer 102,3%, alcançando R$ 87 em 2022. Na faixa entre os 5% e os 10% mais pobres, o aumento foi de 47,5%, chegando a R$ 239.
















