NZ – Metais pesados estão relacionados com resistência a antibiótico
Solo/NZ – Pesquisadores da Massey University, da Nova Zelândia, encontraram uma relação entre os elevados níveis de metais pesados em solos da região agrícola de Waikato e o aumento de bactérias resistentes a antibióticos.

Recente artigo publicado na revista Antibiotics, os pesquisadores encontraram um mecanismo das bactérias que desenvolve resistência a metais pesados, incluindo cádmio e zinco, que aumentam também a resistência a antibióticos em condições de laboratórios.
O chefe da equipe de pesquisadores, Dr. Barry Palmer, disse que a questão dos solos rurais da Nova Zelândia com elevados níveis de cádmio é decorrente de contaminantes naturais da rocha de fosfato usada em fertilizantes minerais.
Permanece o resíduo deixado pelo uso de fertilizantes com alto teor de cádmio, antes da questão ser conhecida. Para enfrentar o problema, estão sendo adotadas estratégias para o manejo do cádmio, em colaboração com os governos central e regional, bem como com as indústrias e os pesquisadores.
Os fertilizantes atuais possuem menores quantidades de cádmio do que no passado, pois, conter mesmo pequenas quantidades em fertilizantes é inevitável.
Sabe-se que o aumento de concentrações de cádmio está ligado a danos renais elevados, e vísceras de animais com mais de 30 meses não podem ser vendidas devido aos efeitos cumulativos nos tecidos.
Os cientistas coletaram, para controle, solos de florestas onde não foram utilizados fertilizantes, para comparar com amostras de solos com cádmio, zinco e mercúrio.
Os cientistas descobriram que os níveis de bactérias resistentes a antibióticos e metais pesados atingiram o pico em amostras com significativos teores de metais pesados. As concentrações de cádmio nos solos de Waikato ainda são cinco vezes maiores do que os níveis normais, após 70 anos de aplicação de superfosfato. Os níveis de zinco dobraram nos últimos 30 anos.
O limite voluntário estabelecido pela indústria no final da década de 1990 foi de 280 mg por quilo de fosfato, ainda cinco vezes maior do que o nível necessário para evitar o acúmulo.
Um terço dos solos da Nova Zelândia tem níveis muito elevados de fósforo devido ao uso excessivo de fertilizantes, causando problemas relacionados à qualidade da água e crescimento de algas tóxicas.
Palmer diz que a pesquisa revela uma outra razão para que a aplicação de fosfato precisa ser evitada e não é sustentável.
“É preciso aplaudir a indústria que criou o grupo de trabalho sobre o cádmio nos anos 90. Eles perceberam que havia um problema e tentaram trabalhar para mitigá-lo. Mas, daqui para frente, é possível encontrar alternativas, como a agricultura regenerativa, que oferece outras formas de agricultura que evitam esses problemas”.
Palmer diz que, para desenvolver a pesquisa, vale a pena explorar os níveis de metais pesados em outras áreas agrícolas, incluindo Canterbury, e possíveis ligações entre o uso de glifosato e o comportamento das bactérias do solo.
















