Aumento das importações ameaça a sustentabilidade da cadeia produtiva do leite
Importação – O artigo do Jornal 0 Valor Econômico, de 22/05/23, sob o Título: “Com importação crescente, nova crise bate à porta do setor de leite”, suscita debates no setor.

Perguntamos ao Diretor Executivo do G100 Wilson Massote, o que pensa dessa crise exposta pela matéria do jornal que provoca importantes comentários de lideranças do setor?
Segundo o Diretor do G100 as importações são reflexos de desequilíbrios não só do setor, mas de toda a economia, a qual com certeza veio primeiro e vem crescendo paulatinamente ao longo dos últimos anos, devido a diversas questões macroeconômicas e microeconômicas. No setor lácteo alguns fatores são desestruturantes: primeiro, é o aumento dos custos dos fatores, por exemplo, combustível, energia, fertilizantes, juros e capacidade do consumidor absorver o repasse desses custos. Segundo, é a produtividade da produção de leite, por mais que tenha crescido, sobretudo a partir de 2015, ainda não sustenta um abastecimento competitivo com os países exportadores, tipo Uruguai e Argentina. Terceiro, é o poder de compra da massa salarial que comprovadamente não acompanha o aumento dos preços internos. E certamente, por mais paradoxal que possa ser, a continuar essa situação de massa salarial baixa e aumento dos custos internos sem dúvida se tornará um enorme estímulo às importações, as quais podem competir com as grandes importações dos anos ’80 e ’90. A situação ainda pode piorar mais, caso por exemplo, se a reforma tributária, baseada nas propostas das PECS 45 ou 110, avançarem e forem aprovadas pelo Congresso sem levar em consideração as conquistas do setor nos últimos 20 anos e as suas especificidades. Esse fato poderá elevar ainda mais os custos do setor e levar a uma situação em que restarão poucas empresas para adquirir o leite dos produtores, com consequências, como: aumento da informalidade, falências de laticínios e um grande êxodo de produtores da atividade.
Nesse cenário, o qual não desejamos, mas alertamos o máximo: o consumidor poderá ser cada vez mais abastecido com leite e lácteos importados, e não temos dúvidas de que não haverá leite suficiente no mundo para suprir o consumo da população brasileira, hoje em torno a 170 litros per capita ano. Isso seria uma verdadeira catástrofe, porque num primeiro momento vai sobrar o leite brasileiro porque ele se torna caro, não acessível à população e em segundo momento as importações se tornam imperativas para o abastecimento porque o setor interno se desestrutura, quebra. Não desejamos ser deterministas, mas qualquer aumento nos custos será insuportável para o setor, para o consumidor. Portanto, defendemos a manutenção das conquistas tributárias alcançadas nos últimos 20 anos e uma maior fluidez das medidas relacionadas com a restituição dos créditos tributários. É essencial que os créditos, que funcionam como capital de giro para o setor, sejam devolvidos de forma mais ágil, em vez de permanecerem retidos pela Receita Federal, por tanto tempo, antes de serem restituídos. Vamos realmente praticar o conceito não cumulativo. Assim, se mantida a atual política tributária e, ajustada a questão das restituições dos créditos, essa não seria mais um elemento que viria desestruturar a cadeia do leite, pelo contrário.
Mas precisaria que se reforçasse imediatamente as políticas públicas voltadas à redução dos demais custos impactantes na cadeia e outras voltadas a reforçar o movimento de aumento da produtividade, como por exemplo, o Programa Mais Leite Saudável, responsável em parte pelo aumento da produtividade nos últimos anos.
Para melhor entender nossas opiniões convidamos o leitor a assistir ao nosso vídeo e estudar o nosso Folder, onde fornecemos informações mais detalhadas. Portanto, defendemos a manutenção das conquistas tributárias alcançadas nos últimos 20 anos e, além disso, uma maior agilidade em sua implementação relacionada aos créditos tributários, tanto hoje como no futuro, caso houver uma reforma tributária.
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