Fusão entre Bunge e Viterra pode criaria um gigante do comércio global
Fusão – A fusão entre a estadunidense do mercado de grãos Bunge Ltd e sua rival Viterra poderá aumentar os negócios da nova companhia nos Estados Unidos da América (EUA), Brasil e Austrália, e trazer preocupações em relação à concorrência no Canadá e Argentina, onde a concentração do processamento de óleo vegetal passaria a ter uma posição dominante.

Fontes na última semana disseram que a Bunge e a Glencore Pic- proprietária da Viterra conversaram sobre um potencial acordo que consolidaria uma trade agrícola mundial ainda mais forte e aproximaria a Bunge, em escala global, aos dois principais rivais, Archer-Daniels-Midland Co (ADM) e Cargill Inc.
“A combinação da Bunge e Viterra em regiões como a América do Norte e Europa certamente fortaleceria a presença do novo conglomerado, tornando-o mais próximo à ADM", disse Seth Goldstein, analista de ações da Morningstar.
“A Bunge é líder na América do Sul. Isso significaria que na região poderia ser necessário fazer alguns desinvestimentos se o negócio for fechado, para garantir que ainda haja concorrência”, acrescentou.
A pesquisa da JP Morgan estimou que a empresa conjunta poderia ter um valor de mercado aproximado de US$ 25 bilhões, em comparação com a ADM que é avaliada em US$ 38,9 bilhões.
Nos EUA, os negócios da Viterra, de compra e venda de grãos, expandiram com a compra da Gavilon no ano passado. Uma fusão poderia aumentar as exportações e processamento de grãos da Bunge, em um mercado onde tem uma presença menor do que a ADM e Cargill, disse um analista.
A Bunge é a maior processadora de oleaginosas do mundo.
Bunge e Viterra esmagam canola nas pradarias do Canadá – incluindo fábricas ao sul de Manitoba – assim como no leste do Canadá. As autoridades antitruste podem exigir que alguns de seus ativos sejam transferidos antes de aprovar a fusão, disseram alguns analistas.
O Departamento de Concorrência do Canadá se recusou a comentar.
A união das duas empresas poderá também criar um conglomerado exportador dominante no Brasil, e se tornar a maior esmagadora de soja da Argentina.
No ano passado, a Bunge foi a maior exportadora de milho e soja do Brasil, matérias primas essenciais na fabricação de ração animal e biocombustíveis, segundo a transportadora Cargonave. A Viterra é a terceira maior exportadora de milho e a sétima maior exportadora de soja.
Combinadas, as companhias foram responsáveis por 23,7% das exportações brasileiras de milho, em 2022, e por 20,9% das exportações de soja, mostram os dados da Cargonave.
No entanto, uma análise do departamento antitruste do Brasil, o CADE, concentraria a observar os efeitos no mercado doméstico, disse o advogado de São Paulo especializado no assunto, Vicente Bagnoli.
“Acho que o CADE poderá não impedir o acordo porque existem outros competidores no mercado”, disse ele.
Na Argentina, as autoridades podem se concentrar no domínio do mercado pela empresa resultante da fusão, no processamento de soja, o maior exportador mundial de farelo e óleo de soja, embora uma pesquisa do Goldman Sachs tenha observado que a capacidade do grupo permaneceria abaixo de 25% do mercado.
A Comissão de Defesa da Concorrência da Argentina se recusou a comentar.
A fusão expandiria a capacidade física de armazenamento e manuseio de grãos da Bunge na grande exportadora de trigo da Austrália, onde a empresa, atualmente, opera apenas dois silos de grãos em um terminal portuário do país. A Viterra tem 55 armazéns no Sul e Oeste da Austrália e seis terminais de exportação de grãos a granel.
Na Ucrânia, o maior produtor de girassol e exportador de óleo de girassol, uma combinação Bunge-Viterra ficaria com três fábricas de processamento de oleaginosas, em Kharkiv, Dnipro e Mykolaiv.
















