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Especiais Selectus nº 6634

AR – Radiografia do setor lácteo

Leite/AR – A cadeia láctea argentina, fortemente ancorada na Província de Santa Fe, em 2022 registrou a maior produção desde 2015, e junto com ela, um recorde de vendas ao exterior. Aqui estão os principais elos deste componente chave da dieta argentina.

Fonte: Fonte: Agrositio – Tradução livre: www.terraviva.com.br | Foto de capa: Photo by Vidar Nordli-Mathisen on Unsplash
AR – Radiografia do setor lácteo

Produção primária

A produção primária se localiza, principalmente, na região central do país, com 13 bacias produtoras, que coincidentemente estão ao lado de estabelecimentos industriais, já que o produto apresenta desafios logísticos dada a característica de um produto que é perecível. Vale destacar que, mesmo que existam bacias leiteiras em outras províncias afastadas dos pampas, estas são destinadas ao abastecimento regional.

A província de Santa Fe, em particular, encabeçou o ranking nacional na quantidade de fazendas leiteiras em 2022, concentrando 35% delas. Em seguida vem Córdoba, com 29% do total e Buenos Aires que concentra 21%. As três províncias reunidas representam 85% das unidades de produção, segundo o Observatório da Cadeia Láctea Argentina (OCLA).

Em Santa Fe, a cadeia mostra tradicionais raízes tanto na produção primária como de transformação industrial, com epicentro no centro-oeste da província. A região composta pelos departamentos de Castellano, Las Colonias, San Cristóbal e San Martín constitui a principal bacia leiteira de Santa Fe que, junto com Córdoba, representa a maioria das bacias leiteiras da Argentina.

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Há uma queda no número de fazendas leiteiras no país ao longo do tempo. Em 1988 existiam no país 30.133 fazendas leiteiras. Em 2022, eram apenas 10.074.

Há anos observa-se um processo de concentração, em que as fazendas menores entram em grandes dificuldades para aumentar a escala, incorporar tecnologias e melhorar a produtividade. Desta forma cresce a quantidade de animais por unidade produtiva.

A produção primária de leite em 2022 foi de 11.557 milhões de litros, praticamente estável em relação aos 11.553 milhões de litros do ano anterior, e a maior desde 2015. Nos últimos dois anos foi intensificada a atividade primária com o uso de suplementos, melhoria genética, tecnologias e práticas de manejo das fazendas.

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No decorrer de 2023, a produção primária de leite acumula até abril, um total de 3,45 milhões de litros, uma variação interanual de 0,3% em relação ao mesmo período do ano anterior e aumento de 7% em relação à média dos últimos 8 anos nos quatro primeiros meses do ano.

Na produção de leite, os custos fundamentais são de soja e milho para a alimentação animal. A soja é utilizada não somente como insumo nutricional, mas também serve de parâmetro para o pagamento de arrendamento de terras como o valor equivalente em quintais. Assim, as sucessivas mudanças nas condições comerciais que implicaram as diversas edições do Programa de Incentivo à Exportação geraram fortes incertezas no setor e maiores custos para as fazendas.

O setor também foi fortemente afetado pela pior seca do século, que provocou falta de pastagens, pouca disponibilidade de reservas de forragens, mudanças para dietas mais caras e menor faturamento por parte do produtor. A forte queda na produção de milho foi uma pressão adicional, levando em conta que 26% do milho forrageiro é destinado à produção de leite.

O Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA) elabora boletins periódicos dos Custos Regionais de Produção de Leite, considerando os preços ao produtor por província (DNL-SAGyP), os custos de produção (Gastos Diretos + Gastos de Estrutura + Amortizações + Compensações Empresariais – Recuperações) e os Preços de Equilíbrio (Custo de Produção + Custo de Oportunidade do Capital). Com base nestes boletins, foi constatado que nos últimos anos o preço ao produtor se encontra abaixo do preço de equilíbrio e mal consegue cobrir o custo de produção. Inclusive, no ano passado, em novembro e dezembro, os custos superaram os preços recebidos pelo produtor.

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Produtos elaborados

O mercado interno é o principal destino da produção, absorvendo praticamente três quartos da oferta total.

Cerca de 35% do leite cru produzido em 2022 foi destinado, principalmente, para a elaboração de queijos. A seguir vem iogurtes e outros leites fermentados que absorvem 27% do leite. O destino de 20% do leite cru foi para a fabricação de leite em pó, enquanto que o doce de leite gastou 8,5%. O restante se divide em diferentes produtos tais como sobremesas, manteiga, leites aromatizados e cremes.

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Em relação ao preço de venda do produto acabado, os regulamentos incidentes sobre a comercialização do leite, que impacta fortemente a cesta básica, estabelecem que o preço do litro de leite integral fique abaixo do aumento geral da economia, medido pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC). De fato, com base na informação publicada pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (INDEC), e tomando como base o mês de junho de 2017 (jun 2017=100), desde então e até abril de 2023 o IPC acumula alta de 1.385%, enquanto no mesmo período o preço do leite integral subiu 1.185%. São 200 pontos percentuais menos que a média ponderada dos preços do resto da economia.

Exportações

Em 2022 houve um recorde nas vendas para o exterior de produtos lácteos.

Com base no monitor de exportações da SAGyP o valor total foi de US$ 1.571 milhões e o volume chegou a 388.043 toneladas. O crescimento das divisas em relação ao ano de 2021 se explica em maior medida ao aumento do valor exportado (+24%) do que do volume (+4%).

O leite em pó representa 46% de todos os embarques do complexo lácteos, seguido pelos queijos com 25% e em terceiro lugar vem a manteiga com 10%. Os principais destinos de exportação foram Argélia, Brasil, Chile e Rússia.

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Quanto ao valor exportado, a província de Santa Fe lidera o ranking entre as principais províncias exportadoras do complexo lácteo. É preciso ressaltar que houve um grande crescimento das exportações da província de Córdoba, onde o valor exportado em 2022 foi 74% superior à média dos últimos 5 anos.

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Acesse aqui a matéria na íntegra

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