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Destaque Selectus nº 6639

Depois de altas consecutivas no 1° quadrimestre, preços sinalizam queda

Preço/Cepea - O comportamento dos preços do leite cru segue atípico em 2023. Com uma safra pouco expressiva, as cotações registraram alta no primeiro bimestre em função da oferta limitada; no segundo bimestre, o avanço da entressafra intensificou o movimento de valorização.

Fonte: Fonte: Cepea-Esalq/USP | Foto de capa: Imagem de 1195798 por Pixabay
Depois de altas consecutivas no 1° quadrimestre, preços sinalizam queda

Assim, no acumulado do ano, os preços do leite cru subiram 11,8%, atingindo R$ 2,8961/litro na “Média Brasil” líquida em abril – valor 9,3% maior que o registrado no mesmo período do ano passado , em termos reais (os valores foram deflacionados pelo IPCA de abril/23). No entanto, a tendência altista deve se encerrar no terceiro bimestre – algo bastante incomum para o setor, uma vez que, historicamente, esse período é caracterizado pelo aumento das cotações de ocorrência da queda sazonal da produção.

Ainda que a produção nacional seja limitada pelo inverno seco no Sudeste e no Centro-Oeste nesta época do ano, os preços não devem seguir em alta em maio, sobretudo devido ao aumento da oferta de lácteos importados e ao enfraquecido consumo doméstico. Pesquisas do Cepea ainda em andamento apontam para possíveis reduções – em torno de 5% – no preço do leite ao produtor em maio.

portante nesse contexto porque, além de o volume estar superior ao de anos anteriores, os preços negociados seguem mais competitivos em relação aos nacionais – o que pressiona as cotações domésticas ao longo de toda a cadeia. Dados da Secex mostram que, em maio, as importações somaram mais de 208,8 litros em equivalente leite, altas de 42% frente a abril e de 219% em relação a maio/22. As compras realizadas entre janeiro e maio deste ano estão três vezes maiores que as registradas no mesmo período do ano passado (ver seção Mercado Internacional, na página 6). Essa quantidade representa aproximadamente 9,1% da captação formal de leite cru, tendo como base os dados da Pesquisa Trimestral do Leite do IBGE de 2022. Vale destacar que, no mesmo período do passado, as importações representaram apenas 2,9% da captação nacional.

Com o aumento da disponibilidade interna de lácteos e o consumo ainda fragilizado, já era possível observar, depois da segunda quinzena de abril, queda nos preços do leite spot e dos derivados lácteos. Em Minas Gerais, a média mensal do spot em maio recuou 16,6%, chegando a R$ 2,78/litro. A pesquisa do Cepea em parceria com a OCB mostra que as cotações médias do UHT, da muçarela e do leite em pó fracionado caíram 3,8%, 0,6% e 3,7%, respectivamente, no atacado paulista em maio (ver seção Derivados, na página 5).

Além disso, é preciso ressaltar que os preços de outras commodities também têm caído, o que impacta nos custos de produção do leite. A pesquisa do Cepea mostra que, em maio, o Custo Operacional Efetivo (COE) da pecuária leiteira caiu 2,3% na “Média Brasil”, influenciado pela retração nos preços do concentrado. Com isso, a relação de troca tem estado mais favorável ao produtor: em maio, foram necessários 25,8 litros de leite para a compra de uma saca de milho, uma melhora de 14,4% no poder de compra entre abril e maio e de 25,9% frente ao mesmo período do ano passado (ver seção Custos de Produção, na página 7). Nesse contexto, há maiores incentivos para investimentos na produção, o que pode sustentar a oferta no segundo semestre. 

Depois de altas consecutivas no 1° quadrimestre, preços sinalizam queda
Depois de altas consecutivas no 1° quadrimestre, preços sinalizam queda

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