Argentina – Exportações de lácteos em abril de 2023 e dados preliminares de maio de 2023
Exportações/AR – As exportações de produtos lácteos nos primeiros quatro meses de 2023 caíram 11%, 7,1% e 14,3% em volume, valores e litros equivalente leite, respectivamente em comparação com o mesmo período de 2022.

No quadro seguinte são apresentados os dados de exportação de produtos lácteos até o mês de maio, com dados preliminares, sujeitos a alterações.

As variações podem ser muito pequenas, pois são correspondentes às exportações de produtos confidenciais, que representam entre 7% e 9%.
Distribuição das exportações em grandes categorias em função do valor total em US$ para os cinco primeiros meses de 2023:
- 38,6% para leite em pó;
- 29,2% para queijos em seus diferentes tipos;
- 20,4% outros produtos lácteos (doce de leite, manteiga, soro, etc.);
- 11,8% produtos confidenciais (lactose, caseína, iogurtes, etc.).
A variação mensal das exportações foi +1,3% em volume e -2,8% em valor (maio/23 x abril/23). A variação interanual foi de -17,2% em volume e -27,2% em valor (maio/23 x maio/22). Em ambas as comparações foi verificada uma queda no volume e nos preços.
A variação em função do volume de janeiro a maio de 2023 foram:
- Leite em pó -36,4%;
- Queijos +18,4%;
- Outros produtores +14,3%;
- Confidenciais +23,9%.

Em litros equivalente leite, as exportações caíram 16,9% e representaram 23,5% da produção nacional.
O preço médio de exportação por tonelada foi de US$ 3,939 entre janeiro e maio de 2023, o que representou aumento de 1,1% em relação a igual período de 2022. No caso particular do leite em pó, o preço médio foi de US$ 3.837 a tonelada, 1,2% abaixo do registrado no ano passado.
O destino das exportações (em dólares) foi:
- 42,9% Brasil;
- 9,6% Argélia;
- 7,3% Chile;
- 4,4% Rússia;
- 3,4% Arábia Saudita;
- 3,3% Uruguai;
- 2,8% China;
- 2,6% Indonésia
- 23,7% restante para mais de 10 outros destinos.
No gráfico seguinte observa-se a evolução do preço do leite em pó integral em embalagens de 25kg, com Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) 04.02.21.10

O principal produto de exportação, o leite em pó integral, chegou aos maiores preços em meados de 2022, e foram os mais altos dos últimos 7 anos, mas começaram um ciclo descendente, chegando em dezembro de 2022 e janeiro de 2023 a US$ 3.600 a tonelada. Depois houve recuperação com as exportações para o Brasil (levando em conta que os preços têm vantagem para a Argentina pela presença da Tarifa Comum, em relação aos preços da Nova Zelândia, por exemplo). Os preços da Argentina apresentam um atraso em relação ao preço internacional de referência, pois o valor de exportação firmado quando da assinatura do pedido, varia em relação ao valor de quando o produto é realmente entregue, prazo que pode demorar até três meses. De qualquer forma, os preços da região para o leite em pó integral são entre 10 e 15% maior do que os verificados no GlobalDairyTrade ou no Mercado Futuro da Bolsa de Valores da Nova Zelândia – SGX-NZX.
Como vimos, está ocorrendo uma importante queda nas exportações de leite em pó, o que não está acontecendo com os queijos, cujas exportações são quase 30% superiores, principalmente de Muçarela e queijos meia cura. No gráfico seguinte podemos ver a tendência na exportação no mês de abril nos últimos 11 anos.

Por último, o gráfico que mostra a tendência crescente no volume e em dólares das exportações argentinas, apesar da queda dos últimos meses.

A situação dos preços atuais do mercado internacional e os que obtém a Argentina, em torno de US$ 3.700 a tonelada, para o leite em pó integral, acabam ficando muito abaixo do preço necessário para remunerar o produtor. Esse valor é suficiente para remunerar o litro de leite a 86 pesos. No entanto, um preço estimado que cubra o custo de produção em junho de 2023 é de 104 pesos por litro. Isto ocorre porque existe a cobrança dos direitos de exportação, a defasagem cambial e o grande tempo de liberação do valor das divisas para os exportadores.
















