Previsão do FGV IBRE para o PIB de 2023 é revisada, para crescimento de 1,6%
Projeções do PIB - Apesar das projeções de PIB para o mês de maio apontarem para uma queda significativa da atividade – de 2% em relação ao mês anterior pelo IBC-Br, do Banco Central, e de 3% pelo Monitor do PIB do FGV IBRE na mesma comparação, fruto essencialmente do fim do principal período de colheita de soja –, a recuperação do setor de serviços em relação ao desempenho de abril levou os levantamento do FGV IBRE a revisarem as projeções de PIB para no Boletim Macro de julho.

Para o segundo trimestre, espere um crescimento de 1,8% na comparação com o mesmo tri do ano passado e contração de 0,4% em relação ao trimestre anterior. E, para o ano, alta de 1,6%, contra 1,3% na projeção anterior.
Na análise sobre a atividade, Silvia Matos, coordenadora do Boletim, Marina Garrido e Ana Victoria Pellic destacaram o crescimento positivo do setor de serviços em maior medido pela PMS, do IBGE (0,9 % MSM), após queda de 1,5% em abril, aponta a um resultado líquido mais próximo da estabilidade, graças a sinais de resiliência do setor de transportes, bem como dos serviços prestados às famílias, com duas altas. As pesquisadoras lembram, entretanto que esse último segmento ainda se encontra 4,5% abaixo do nível pré-pandemia, de fevereiro de 2020, o que pode sinalizar alguma margem de crescimento até o final do trimestre. Mas ressaltam não vislumbrar outro motor de crescimento para essa atividade no segundo semestre.
A economista do IBRE Juliana Trece ressalta essa mesma tendência refletida na evolução do consumo das famílias medida pelo Monitor do PIB. “Há uma tendência declinante, explicada especialmente pelo consumo de serviços: enquanto em 2022 apresentou crescimento médio trimestral em torno de 7,0%, no trimestre móvel encerrado em maio de 2023 cresceu apenas 3,2%”, diz. Nessa mesma comparação interanual, o consumo de serviços registrado no trimestre encerrado em maio de 2022 foi de alta de 4,8%, contra 1,6% no trimestre fechado em maio deste ano.
Silvia e Armando Castelar destacam no Boletim as expectativas positivas no campo inflacionário no Brasil e nos Estados Unidos – no caso deste último, com a expectativa de interrupção mais cedo do ciclo de altas, sem a necessidade de uma recessão – têm influenciado aas expectativas como um todo. Também citaram a percepção positiva sobre o avanço da reforma dos tributos sobre o consumo na Câmara, que agora está no Senado. Tal como ressaltado na coluna Em Foco, o atual sistema é identificado como “entrave ao crescimento da produtividade e, consequentemente, limita o nosso potencial de crescimento”. Diagnóstico detalhadamente defendido pelo próprio secretário extraordinário da Reforma Tributária do Ministério da Fazenda, Bernard Appy, no livro Anatomia da Produtividade no Brasil, publicado pelo FGV IBRE em 2017, quando Appy atuava como diretor do Centro de Cidadania Fiscal (CCiF). Estudo recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indica que o impacto de uma reforma – no molde do substitutivo à PEC 45/2019 que foi submetido à votação na Câmara – sobre a estrutura produtiva da economia brasileira teria potencial de acrescentar 2,3 pontos percentuais ao crescimento do PIB acumulado até 2032, em relação ao cenário sem nenhuma reforma.
Mas eles lembram que ambas as frentes de otimismo ainda não estão ganhas. No caso da inflação, apontam que o IPCA-EX3, medida divulgada pelo IBGE que agrega apenas itens selecionados de serviços e bens industriais identificados como mais sensíveis ao ciclo econômico aponta uma inflação ainda alta, de 7,4% em 12 meses. Na seção sobre inflação, André Braz também ressalta a resiliência dos preços dos serviços, “grupo que compromete o30% do IPCA e que sustenta a inflação interanual em 6,2%, patamar ainda muito distante da meta”. A resiliência do mercado de trabalho brasileiro também é um ponto de dúvida quanto à capacidade de se desinflacionar a economia sem custos em termos de geração de emprego. Na seção de mercado de trabalho, Daniel Duque aponta a uma tendência de desaceleração lenta na geração líquida de vagas, com perspectiva inclusive de junho ter fechado com a taxa de desemprego em estabilidade.
No campo da reforma, o panorama é ainda mais difuso, já que o texto que foi para o Senado embute diversas dúvidas, apontam Silvia e Castelar. Entre elas, qual será a alíquota base, especialmente se passarem concessões feitas a setores específicos da economia, com a criação de regimes especiais e alíquotas diferenciadas. Além do impacto de uma permissão para estados criarem impostos sobre produtos primários e semielaborados. Na seção de política fiscal, Manoel Pires também analisa a estrutura do texto que será debatido no Senado, destacando a importância dessa casa legislativa preservar a essência de padronização da proposta, “que é o principal ganho da reforma”, afirma. Em seu texto Pires também aborda o papel do Conselho Federativo e do Fundo de Desenvolvimento Regional, bem como das leis complementares necessárias para regular o sistema. Ou seja, há um longo e delicado caminho adiante, que dependerá da coerência – e competência – das autoridades políticas do país, defende, para que a reforma traga as virtudes esperadas dela.
Também são destaques do Boletim Macro FGV IBRE de julho:
Nas expectativas de empresários e consumidores, destaca-se o encerramento do segundo trimestre em alta, com sinais de cautela quanto à confiança dos consumidores de renda mais baixa e com sinais de queda da confiança empresarial na prévia de julho.
Na seção de política monetária, José Júlio Senna analisa a decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN) de manutenção da meta de inflação em 3% e sua transformação em objetivo contínuo, ressaltando que essa sistemática de meta contínua não tira do BC a responsabilidade de definir o horizonte de convergência da inflação à meta.
No setor externo, Lia Valls analisa o desempenho das exportações no primeiro semestre do ano, cuja melhora foi liderada pela variação do volume em detrimento da queda nos preços, levantando as principais tendências registradas nos últimos anos.
Na seção Internacional, Samuel Pessôa trata da expectativa da evolução do chamado supercore do PCE (deflator implícito do consumo), importante orientador das decisões de política monetária do Fed. Se este repetir a forte queda observada no IPC dos Estados Unidos, abrirá perspectivas mais alentadoras para o horizonte inflacionário pós-choques.
No Observatório Político, Octavio Amorim, da FGV Ebape, analisa as mudanças no funcionamento do presidencialismo de coalizão que fortaleceram a direita parlamentar – nem todas negativas –, e se estas afetarão a eficácia do sistema como fórmula governativa para Lula.
E, na seção Em Foco, Janaína Feijó e Paulo Peruchetti analisam a recuperação do mercado de trabalho no primeiro trimestre por regiões do país, ressaltando a perda de fôlego observada no período.
















