A oferta doméstica de leite continua impulsionando as importações
Importações – As importações brasileiras de produtos lácteos no mês de julho de 2023, em dólares, subiram 62,9% em relação ao mesmo mês do ano passado, o menor aumento percentual do ano, mas, partindo de uma base elevada.

Julho de 2022 já havia subido 69,3% em relação a julho de 2021.

O crescimento foi impulsionado pelas compras de leite em pó integral, e também soro de leite. Em dólares, as duas categorias subiram 107% e 126%, respectivamente. Os queijos subiram 2,45% em valores, mas caíram quase 7% em volume.

No acumulado do ano todas as categorias contribuíram para o aumento das exportações, exceto produtos NCM401 que não foram negociados em 2023, até o momento.
O leite em pó integral deu a maior contribuição, seguido pelo soro de leite.

As importações brasileiras de lácteos procedem, essencialmente, do Mercosul. A Argentina lidera a remessa de lácteos para o Brasil, seguida pelo Uruguai, e em terceiro lugar vem o Paraguai.

Os três países foram responsáveis por 95% do volume de lácteos importados pelo Brasil de janeiro a julho de 2023.

O principal produto importado é o leite em pó, fazendo com que a categoria NCM0402 represente 70% de todos os lácteos comprados pelo Brasil.

Acompanhando a série das importações da categoria nos primeiros sete meses do ano, desde 2013, observa-se que 2023 está tendo um crescimento excepcional, chegando a 955 milhões de litros equivalente leite.
No entanto, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) divulgou na semana passada, o volume de leite adquirido pelas indústrias no 2º trimestre de 2023.

Com esses dados foi possível verificar que de 2013 a 2023 houve aumento de 5% do leite entregue nas plataformas das fábricas. Representa menos de 0,5% ao ano de crescimento, e mostra uma estagnação.

Também utilizando os dados mais recentes do IBGE sobre a contagem da população brasileira, e os dados consolidados até 2021 sobre a produção de leite, surge este gráfico indicando uma queda acentuada na disponibilidade interna de leite no Brasil, e do consumo per capita.

O leite adquirido nos primeiros seis meses de 2023 é menor do que os volumes adquiridos no mesmo período de 2014 e de 2022, com indicações de que a oferta interna de leite se mantém apertada e o leite produzido e processado no país não está sendo suficiente para atender à demanda.
Se houver qualquer recuperação do poder de compra da população, e sem aumento da produção interna de leite, é difícil imaginar que as importações possam cair no curto prazo.
















