Índia – Demanda robusta elevará a receita da indústria de laticínios entre 14 e 16%
Índia – A forte demanda por produtos de valor agregado e consumo estável de leite elevarão a receita da indústria de laticínios entre 14 a 16% no atual ano fiscal.

Com a melhora na oferta de leite cru, haverá menos aumentos de preços e recuperação de 20 a 50% da lucratividade, disse a agência de classificação de risco, Crisil Ratings.
No último ano fiscal, a disruptura na oferta de leite cru levou a múltiplos aumentos de preços no varejo, elevando a receita em 19% mas impactando na lucratividade.
“A lucratividade de várias indústrias de processamento de lácteos vem caindo ao longo dos dois últimos anos e isso significa que a indústria não consegue repassar completamente os custos para o preço final do varejo. Como resultado, observamos seguidos aumentos de preços”, disse o diretor da Crisil, Pushan Sharma em uma entrevista.
Balanços saudáveis e perfis de crédito das centrais de laticínios analisados pela Crisil Ratings indicam posicionamentos fortes.
“Acreditamos que o robusto crescimento da receita através de produtos com maior valor agregado ocorrido nos últimos anos continuará. Neste ano fiscal, o segmento terá crescimento entre 18% e 20% e consequentemente, a participação dos produtos de maior valor agregado poderá alcançar 40% da receita total, contra os 35% contabilizados nos últimos quatro anos. Dado que a demanda tanto do varejo como de segmentos institucionais permanecem firmes, a participação dos produtos de maior valor agregado continuará crescendo. De outro lado, a renda com leite líquido crescerá de 8% a 10% neste ano fiscal, apoiada pelo aumento constante da demanda”, disse Mohit Makhija, diretor sênior da Crisil Ratings.
O preço do leite subiu cerca de 24% nos últimos três anos, sendo 10,5% no ano passado e 0,3% no último mês. A tendência de alta foi atribuída ao atraso na inseminação artificial ocorrido durante a pandemia de Covid. Com isso houve menor nascimento de bezerros e consequentemente, declínio da produção de leite. A produção também foi afetada pelos agricultores que não conseguiram cuidar adequadamente do rebanho durante a pandemia, quando os preços das commodities elevaram muito impactando nos custos da alimentação. Isso deixou um significativo impacto na produtividade animal, com reflexo na escassez de oferta de ghee e manteiga por um ano e meio.
No 1º semestre de 2023, o preço do leite ao produtor subiu 14% devido a vários desafios da oferta, tais como o significativo reajuste do custo da forragem, o impacto nos rendimentos devido a doenças do gado e às interrupções no calendário de inseminação artificial.
A firmeza da demanda encorajou as organizações de laticínios a investir, neste ano fiscal e também no próximo, especialmente em produtos de maior valor agregado, o que representará 60% das despesas. De um modo geral a renda cresceu de 14 a 16% neste ano fiscal, impulsionada principalmente pelo aumento dos volumes vendidos, de 9 a 10%.
“O aumento do preço do leite este ano será bem menos intenso, cerca de 2 rúpias por litro, [R$ 0,12/litro] - contra o acumulado no último ano fiscal que variou entre 5-7 rúpias por litro, [R$ 0,29/0,41/litro] -, principalmente por duas razões: melhora na oferta de leite diante de maior disponibilidade de forragens; e vacinação e inseminação do rebanho em tempo adequado. Além disso, o impacto final dos aumentos realizados nos períodos anteriores estarão proporcionando melhor rentabilidade neste ano fiscal”, disse Anad Kulkarni, Diretor da Crisil Ratings.
A Crisil Ratings analisou 38 laticínios, que respondem por 60% do faturamento do setor lácteo organizado.
















