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Especiais Selectus nº 6696

Ganhos econômicos abordando a qualidade do leite para reduzir o desperdício

Desperdícios – Olhando os trabalhos de pesquisas, a maioria das intervenções são focadas no desperdício de alimentos durante o manejo logístico e operacional, mas, em um novo relatório, os pesquisadores destacam que uma solução única sobre a questão, especialmente para o leite fluido – deve abordar a qualidade do leite fluido fazendo intervenções que estendam a vida de prateleira do produto.

Fonte: Fonte: Dairy Global – Tradução livre: www.terraviva.com.br | Photo by Nareeta Martin on Unsplash
Ganhos econômicos abordando a qualidade do leite para reduzir o desperdício

De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), um terço dos alimentos produzidos, ao nível global, são desperdiçados. No contexto dos lácteos, por exemplo, o descarte de produtos durante a limpeza ou mudanças de linha em um processador de leite é perda de alimentos. Também o é, quando os consumidores descartam produtos após a data de validade.

Especificamente, nos Estados Unidos da América (EUA), estimou-se que no ano passado, os produtos lácteos ficaram entre os três principais grupos de alimentos que representam a maior parte do volume total de desperdício de alimentos, com o leite fluido sendo responsável por aproximadamente 65% do desperdício de alimentos lácteos por peso, com valor estimado de US$ 6,4 bilhões por ano.

Entre as várias preocupações financeiras associadas ao desperdício do leite fluído, também existem as implicações ambientais associadas às perdas. Globalmente, a produção de leite fluido, o processamento e o transporte é estimado como sendo responsável por 2,4 kg de CO2 por quilo de leite equivalente e representa 2,7% das emissões de gases de efeito estufa (GEE) antropogênicas (FAO, 2010).

Base para análise econômica e ambiental

Usamos dados de um modelo anterior de simulação de deterioração de leite fluído, coletamos preços e informações sobre os produtos em lojas do varejo, consultamos especialistas e usamos regressões de preços hedônicos para determinar os ganhos privados e sociais com a implementação de 5 diferentes intervenções que aumentem a vida útil dos produtos. As 5 estratégias são as seguintes:

1 – Procurar e destruir cepas de bactérias que sejam encontradas em nichos específicos da instalação.

2 – Manutenção preventiva com aprimoramento de procedimentos operacionais na substituição das peças dos equipamentos antes que elas se desgastem e contribuam para a contaminação bacteriana.

3 – Aumentar a frequência das limpezas periódicas de equipamentos (PEC), que por serem trabalhosas, muitas vezes são postergadas. Mas o aumento de PEC reduz a contaminação pós-pasteurização.

4 – Adição de sensores de temperatura (rótulos inteligentes).

5 – Revestimentos antimicrobianos para ralos de piso, que poderão reduzir a contaminação do leite fluido. Esta contaminação é resultado da aerossolização de bactérias encontradas nos ambientes das fábricas de processamento.

Estima-se que essas 5 intervenções prolongarão o prazo de validade entre 1 e 7 dias.

“Ao contrário de outros produtos perecíveis, os consumidores não podem usar a aparência para avaliar a qualidade do leite fluido e, prolongar o prazo de validade pode trazer benefícios substanciais”, destacaram os pesquisadores.

Na conclusão os especialistas disseram: “Nossos dados sugerem que o valor adicional de cada dia a mais no prazo de validade corresponde a aproximadamente US$ 0,03 e indicam que aumentar a periodicidade da limpeza dos equipamentos é a estratégia mais econômica para que as fábricas melhorem o tempo de prateleira, tanto do ponto de vista econômico da empresa como do ponto de vista ambiental”.

“As abordagens relatadas são valiosas para ajudar as empresas a desenvolverem fábricas personalizadas e avaliações individuais na empresa que identifiquem estratégias mais adequadas para aumentar a vida de prateleira dos diferentes produtos lácteos”, acrescentaram.

Também é importante reconhecer que a implementação dos custos irá variar, e dependerá do tamanho da planta de processamento bem como das situações específicas da fábrica. A avaliação da viabilidade e estimativas de custos de cada unidade podem ser diferentes das utilizadas neste estudo.   

Acesse aqui a matéria na íntegra.

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