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Preço do leite preocupa produtores da região

Leite - Produtores rurais estão preocupados com o preço que estão recebendo pelo litro do leite.

Fonte: Fonte: Paraná Centro | Foto de capa: Imagem de Myriams-Fotos por Pixabay
Preço do leite preocupa produtores da região

Depois de uma alta expressiva durante o período de pandemia, o preço vem caindo a cada mês e a remuneração atual praticamente não paga os custos de produção. Entidades que representam o setor têm alertado as autoridades estaduais e federais das dificuldades que os pecuaristas, especialmente os pequenos, estão passando para se manter na atividade e muitos já cogitam parar com a produção se não houver uma perspectiva de melhora no curto prazo.

Neiverson Mazurok é produtor de leite na localidade de Palmital II, município de Cândido de Abreu. Atualmente, produz cerca de 1,4 mil litros/dia e salienta que, apesar do leite sempre ter fases ruins, essa parece ser uma das mais difíceis. “A gente já passou por muitas fases ruins, mas sempre via uma luz no fim do túnel, mas dessa vez a perspectiva não é boa e os laticínios dizem que a tendência é piorar”, cita o produtor.


O principal problema enfrentado pelos produtores de leite é o custo de produção, os insumos e matérias-primas que compõem a ração, como soja e milho, subiram muito durante a pandemia e, com isso, houve um aumento no preço da alimentação dos animais. No entanto, com a queda no preço do leite, o custo da ração não cedeu e o produtor tem ficado no vermelho. “Está ficando inviável e quem tem uma propriedade pequena não consegue produzir todo o alimento para o gado e precisa comprar fora”, relata o produtor.

Outro fator que está pesando é o custo do milho para fazer silagem; as sementes subiram mais de 50% de um ano para o outro e, além disso, o produtor precisa lidar com a praga da cigarrinha. Apesar de todas as dificuldades, Neiverson Mazurok é resiliente. Para reduzir os custos, como ele já tem certa estrutura, pensa em aumentar o plantel de animais e, com uma produção maior, diluir os custos para tentar conseguir alguma lucratividade. “Não tem como abandonar a atividade do dia para a noite, pois não sei fazer outra coisa e não está fácil buscar outro ramo”, relata Neiverson.

Pitanga é atualmente o 6º principal produtor de leite do Paraná e a grande maioria dos produtores produz até 250 litros/dia. O presidente do Sindicato Rural de Pitanga, Anselmo Coutinho Machado, salienta que o leite entra em crise de forma recorrente, mas, dessa vez, o preço da ração tem sido o principal fator de prejuízo ao pecuarista.

Ele também aponta alguns fatores que fizeram com que o preço do leite caísse para o consumidor. O inverno foi mais ameno que o esperado e, com isso, a queda na oferta de leite, que sempre acontece nessa época, não ocorreu. Além disso, a queda no dólar fez com que o leite produzido na Argentina e no Uruguai ficasse mais barato e estimulasse a importação. Anselmo Machado lembra que existe um acordo comercial entre os países do Mercosul e tanto Uruguai como a Argentina têm uma cota de leite que podem colocar no país.

No entanto, ele cobra dos órgãos de fiscalização uma ação maior sobre algumas práticas que estão ocorrendo, como a importação de leite em pó, que depois é hidratado com água pelas indústrias do Brasil; e também a entrada de leite de outros países via Mercosul, e ambas práticas são proibidas.

No mês de agosto, representantes da Faep e de outros setores que representam a produção de leite no Brasil estiveram em Brasília, discutindo o assunto com representantes do Ministério da Agricultura e bancada federal que representa o setor.

Anselmo destaca que, nesse momento de crise, o produtor deve procurar alternativas para baixar o custo de produção, como ampliar a alimentação a pasto ou buscar variedades de capim que tenham mais proteína. Outra questão importante é investir na produção de leite com qualidade, que tem um preço diferenciado. “Essa é uma atividade muito importante para grande parte dos municípios do Paraná e, por isso, esperamos que, em breve, essa situação seja contornada”, salienta.

Acesse aqui a matéria na íntegra

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