“Toda fazenda produtora de leite que trabalha dentro da legalidade está tecnicamente quebrada”
Produção/AR – A Sociedade Rural de Rosario (SRR) criticou veementemente a falta de políticas de incentivo para o setor leiteiro da Argentina, e acusou o Governo de exercer uma política tributária “irracional” que põe em risco a sobrevivência da propriedade leiteira.

Para os ruralistas, isto coloca os produtores em uma encruzilhada, porque quem trabalha observando todas as normas fiscais e sanitárias estão no vermelho.
“Todas as fazendas leiteiras do país que trabalham dentro das normais fiscais e sanitárias, a ordem legal em vigor, estão tecnicamente quebradas, ou seja, com resultados negativos”, advertiu a Sociedade de Rosário, em um comunicado.
Do lado oposto, consideram que “todo produtor leiteiro que não está nesta situação, é porque trabalha em circuitos alternativos aos atuais sistemas irracionais, para sobreviver”.
A entidade destacou que, além da seca, a política fiscal tributa o capital produtivo, pois “cobra pelo valor de cada vaca, pelo valor do solo e não pela renda obtida na atividade”.
As fazendas leiteiras, em um contexto asfixiante
Nesta linha a SRR também denunciou os gravames incidentes sobre os insumos sanitários, a alimentação do rebanho e o Imposto sobre Valor Agregado (IVA) incidente no leite produzido.
“Como se tudo isso fosse pouco, são estabecidas retenções para os lácteos. Reclamamos ao Governo o compromisso de reverter este tratamento absolutamente discriminatório e assimétrico sobre a produção agropecuária”, acrescentou a entidade.
Esta combinação de falta de políticas para o setor e os fatores climáticos impactam em todas as fazendas leiteiras de média escala.
“Devemos defender o produtor de leite contra um sistema que os condena à extinção, levando a atividade a ficar cada vez mais concentrada e monopolizada”.
“É urgente eliminar toda pressão fiscal e tributária que impeça que a atividade leiteira deixe de ser rentável e desapareça”.
Preços em baixa
Paralelamente ao comunicado da SRR, o Observatório da Cadeia Láctea Argentina (OCLA) publicou um boletim sobre os preços do leite ao produtor em agosto no qual pode ser observada como a desvalorização do câmbio e a inflação recorde desde 1991 pulverizaram o poder de compra real das fazendas leiteiras.
No mês passado, o preço médio pago aos produtores da Argentina foi de AR$ 111,10/litro, o que representa 4,1% a mais do que em julho e 110,1% acima do valor de um ano atrás.
Mas atualizado pela inflação, o valor atinge o pior nível desde o início de 2019, e também apresenta uma queda acentuada se for representado o preço em dólares.

















