França – “A pecuária é a solução para capturar carbono”
Meio ambiente/França – “Não existem 50 soluções para captar carbono. Existem os oceanos, que não podemos controlar, e a terra. E, para capturar carbono, um pasto deve ser mantido. É aqui que a criação têm seu lugar, e é a solução”, proclama Stéphane Joandel, vice-presidente da Federação Nacional dos Produtores de Leite (FNPL) e tesoureiro da Dunater, associação fundada pelos Jovens Agricultores (JA) e pela Câmara agrícola Auvergne-Rhône-Alpes, com o objetivo de apoiar os agricultores nas suas iniciativas de rotulagem de baixo carbono.

Acompanhado de Édith Bruneau, coordenadora regional da Dunater, Stéphane Joandel organizou a Cúpula Pecuária em Clermont-Ferrand.
Em Auvergne-Rhône-Alpes, um quarto dos pecuaristas estão engajados no assunto de rotulagem de baixo carbono. “Com o ambiente podemos fazer economia”, assegura Stéphane Joandel.
Os resultados reais: as 58 unidades agrícolas engajadas na segunda fase do projeto France Carbone Agri 2020/2021, ganharam um total de 18.500 toneladas de CO2, ou uma média de 320 toneladas por exploração, embora existam diferenças que variam entre 29 toneladas e 1.229 toneladas.
“Alguns já adotam boas práticas. Um outro prometeu poupar 40 toneladas, principalmente para obter o rótulo e divulgá-lo, mostrando aos vizinhos o seu envolvimento com o meio-ambeinte”, disse Stéphane Joandel.
Benefícios múltiplos
Entre as principais mudanças adotadas se encontra a gestão do rebanho (otimizar a idade do 1º parto...), a alimentação (aumentar a autonomia proteica...), a gestão dos dejetos (aumentar a duração das pastagens...), o consumo de energia (redução do consumo de combustível...), a gestão das culturas (implantação de leguminosas...), adoção de infraestruturas agroecológicas (plantio de bosques e cercas vivas...) e a gestão do espaço cultivado (adotar pastagens temporárias...).
Na propriedade de Stéphane Joandel em Montbéliardes, foi aumentado o plantio de azevém e trevo para se aproximar da autonomia proteica. “Estou a 1.000 metros de altitude. Para mim, e quero dizer para mim, o aquecimento climático é positivo, pois me permite aumentar a diversidade das culturas”, diz. Também reduziu a taxa de novilhas de reposição de 40% para 22%. “Resisti um pouco para começar”, reconhece ele. Mas agora vejo que evoluí. E estou satisfeito. “Os benefícios são inúmeros, como o combate ao desmatamento com a substituição da soja por forragens locais, ou limitação da erosão, a lixiviação de azoto, a melhoria da fertilidade do solo e o aumento do armazenamento de carbono graças à cobertura do solo.
“Ao final de 5 anos do processo, o agricultor permanecerá com a nova abordagem. Não é porque a remuneração caiu que vai voltar”, garante Stéphane Joandel.
“Cuidado com a armadilha do decrescimento”.
A abordagem do rótulo de baixo carbono é um processo de 5 anos. Ele começa por uma auditoria externa, a construção de um plano de ação, a adoção de medidas, a quantificação dos ganhos em uma segunda auditoria, a verificação e a certificação das reduções, a remuneração final aos agricultores.
“Não é punitivo. Pode acontecer um ano de seca que afete as pastagens”, explica Edith Bruneau. O preço da tonelada equivalente de CO2 é de 40 €, sem impostos. E, 32 € é o ganho do agricultor, 5 € para os promotores do projeto (assessoria técnica, etc) e 3 € para a France Carbone Agri.
O pagamento é feito em três vezes, no ato da assinatura do termo de adesão, no meio do projeto e no reconhecimento dos créditos de carbono. Os objetivos do setor agrícola francês são ambiciosos. De 500 milhões de toneladas de CO2 produzidas por ano em 1990, caiu para 400 milhões de toneladas hoje, e pretende atingir 100 milhões de toneladas por ano em 2050, para cumprir o carbono Zero pretendido pela União Europeia (UE).
“No entanto, não devemos cair na armadilha do decrescimento. É preciso ter foco na nossa soberania alimentar. O primeiro objetivo do agricultor deve ser fornecer alimentos de qualidade”, alerta Stéphane Joandel.
















