AR – “Cuba solar” para garantir a inocuidade na elaboração de queijos de cabra
Tecnologia/AR – Nos vales e colinas de Jujuy e Salta, no extremo norte da Argentina, a criação de cabras e ovelhas para obtenção de leite, e posterior fabricação de produtos artesanais como queijos, é uma atividade desenvolvida principalmente por pequenos produtores da agricultura familiar.

Para oferecer ferramentas que melhorem a gestão e o desenvolvimento dessas tarefas, especialistas do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA) montaram uma tecnologia de baixa escala para aumentar os níveis de inocuidade desses processos.
O Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico para a Agricultura Familiar (IPAF NOA) do INTA, mediante financiamento próprio e do Ministério do Desenvolvimento Econômico e Produtivo de Jujuy, e com a colaboração de técnicos e trabalhadores de laboratórios da Estação Experimental Agropecuária Cerrilos do INTA, desenvolveram uma cuba queijeira à base de energia solar, que facilita o tratamento térmico LTLT (Baixas temperaturas por longo tempo) requerido no processamento da matéria prima para elaboração de queijos caprinos frescos.
“Nas condições ambientais predominantes de Quebrada (referência a Humahuaca) é viável a aplicação de um artefato sensível para realizar o tratamento térmico LTLT, com o emprego de energia térmica em um tanque solar de tubos à vácuo, ao menos em 80% dos dias do ano”, explicou Pablo Gerbi, coordenador de pesquisas do IPAF NOA do INTA.
“A cuba solar para queijos artesanais é uma tecnologia de baixa escala que atende dimensões sociais, econômicas, culturais e de sustentabilidade”, acrescentou.
O primeiro protótipo desta tecnologia, construído em 2022, foi instalado, no início deste ano, em uma unidade do INTA em Paraje Hornillos, Maimará, Jujuy, destinado para esta produção.
Mónica Chávez, pesquisadora do INTA Salta explicou: “Segundo os valores obtidos pelos mapas e modelos de radiação e luminosidade solar global e presentes em Quebrada de Humahuaca, a água quente obtida de um termotanque solar comercial, um com coletor de tubos à vácuo de 200 litros de capacidade e rendimento característico, bastaria para realizar o tratamento térmico de pasteurização de baixa temperatura para um volume de 40 a 50 litros de leite empregado como matéria prima para a elaboração de queijos frescos”.
Os pesquisadores informaram que, embora os ensaios tenham sido realizados nas condições ambientais dessa zona em particular, estima-se que a tecnologia também pode ser aplicada com êxito nas províncias de Salta, Catamarca, Tucumán, La Rioja, Santiago del Estero, Córdoba, San Juan, San Luis y Mendoza, atendendo às necessidades dos pequenos produtores queijeiros dessas regiões áridas e semi-áridas, cujo universo abrange cerca de 4.000 famílias.
















