Uma planta OGM muda de cor ao detectar pesticidas proibidos
Tecnologia/EUA – Cientistas da Universidade da Califórnia em Riverside conseguiram modificar geneticamente (OGM) as proteínas receptoras de uma planta que naturalmente é verde para que ela reagisse a um inseticida proibido, tornando-se vermelha. Com essa descoberta, os agricultores que utilizam pesticidas ilegais poderão ser desmascarados.

Você pensa em continuar utilizando, discretamente, seus pesticidas proibidos? Atenção, os vegetais poderão te trair no futuro! Pesquisadores da Universidade da Califórnia de Riverside (UCR) nos Estados Unidos da América (EUA) conseguiram fazer com que uma planta naturalmente verde se torne vermelha ao detectar pesticidas tóxicos que estejam proibidos. No estudo publicado no dia 23 de outubro na revista científica Nature Chemical Biology, a equipe detalha a descoberta. A proteína receptora da arabette des dames, [uma brássica da família da mostarda], de 20 a 25 centímetros de altura, é considerada comumente como uma erva daninha.
Essas proteínas se ligam e reagem na presença de ácido abscísico, um hormônio vegetal produzido pelas plantas que as ajuda a se aclimatarem às mudanças ambientais, como as secas. Mas, os pesquisadores da Califórnia descobriram, no ano passado, que esses receptores podem ser modificados para se associarem a outras substâncias químicas além do ácido abscísico, e que, logo depois, elas mudam para a cor vermelha.
Eles utilizaram o azinfos-etil, um inseticida empregado de 1960 até 1990 para testar a habilidade da planta de modificar seu aspecto. “O mais importante é que criamos um captador ambiental sem modificar o metabolismo natural da planta”, comemora Ian Wheeldon, professor associado de engenharia química e ambiental da UCR.
Novas perspectivas para a detecção de produtos químicos
“As pessoas com as quais trabalhamos tentaram detectar à distância os produtos químicos presentes no ambiente... Se você tem um canteiro dessas plantas e elas se tornarem vermelhas, ficará visualmente evidente”, explica Sean Cutler, professor de biologia celular vegetal da UCR. As plantas desenvolvidas ainda não estão prontas para serem cultivadas comercialmente, por falta de autorização e regulamentação que levarão anos para serem obtidas. No entanto, o estudo dos pesquisadores da Califórnia abrem boas perspectivas para a detecção de produtos químicos em culturas e também na água.
















