Selic cai para 11,75% a.a, a passo de tartaruga! Inflação dentro da meta
Selic - O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) foi instituído em 20 de junho de 1996, com o objetivo de estabelecer as diretrizes da política monetária e de definir a taxa de juros. Ao final de cada trimestre civil (março, junho, setembro e dezembro), o Copom publica o documento "Relatório de Inflação", que analisa detalhadamente a conjuntura econômica e financeira do País, bem como apresenta suas projeções para a taxa de inflação.

O Relatório publicado nesta quarta -feira ( 13/12) optou por reduzir a Selic em 0,50 ponto percentual (p.p) levando a taxa de juros para 11,75% ao ano.
Especialistas concordam que o tom do comunicado foi mais tímido ao afirmar que os membros do Comitê preveem “redução de mesma magnitude nas próximas reuniões”, em sinalização de pelo menos mais dois cortes de 0,50 p.p. na taxa básica de juros da economia. Esses cortes serão anunciados nas próximas reuniões de 2024 tendo como objetivo chegar ao final do ano na casa dos 9,50% a.a. Novos cortes da mesma magnitude podem resultar em taxas de juros mais baixas no fim do ciclo de cortes. De acordo com economistas, se essa tendência de redução se mantiver empresas podem se beneficiar reduzindo suas dívidas e consequentemente gerando um maior fluxo na economia.
A Selic é utilizada tanto por bancos quanto por outras instituições financeiras como referência no momento de conceder empréstimos, financiamentos e aplicações. Ela representa a média de juros que o Governo brasileiro paga por empréstimos. Isso significa que, quando a Selic está alta, os bancos preferem emprestar ao Governo. Com uma taxa mais baixa, existe um incentivo maior para emprestar ao consumidor final. Logo, quanto maior a Selic, mais “caro” é para o consumidor final realizar qualquer tipo de financiamento. Isso faz com que o consumo caia.
Assim, uma Selic mais baixa proporciona incentivos ao crescimento da economia nacional. E é isso que interessa ao mercado brasileiro e consequentemente ao mercado da agropecuária. Se a taxa Selic cai, os rendimentos de aplicações como poupança, CDBs e Tesouro Direto deixam de ser interessantes e os grandes investidores tendem a passar a empreender gerando mais empregos. Se isso acontece o poder de compra das famílias cresce, o setor de alimentação sofre diretamente os efeitos disso e consequentemente esse ciclo tem papel importante nos negócios da agropecuária uma vez que esta representa 8% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro e gera emprego para pelo menos 10% da população economicamente ativa do país.
No Brasil, o Sistema Nacional de Crédito Rural (SNCR) contempla 02 tipos de recursos: Recursos Controlados e os Recursos Livres ou Não Controlados. São exemplos dos primeiros a poupança rural, recursos do BNDES entre outros. E quanto aos segundos são demais bancos que oferecem financiamento para o agronegócio. A redução da Selic em 0,50 ponto porcentual (p.p) gera efeitos apenas nos Recursos Livres, pois os Controlados já têm taxas de juros fixadas até junho de 2024.Essa redução leva ao longo do tempo a um aumento da renda no campo e consequentemente maior margem para o produtor. Além disso, outro impacto importante é que a maior produtividade leva a maior oferta e menor impacto na inflação, o que acarreta diminuição dos preços o que afeta diretamente o poder de compra dos consumidores.
Importante chamar atenção também para os reflexos da inflação no mundo no mercado interno, e como o alívio no exterior pode influenciar nos cortes no Brasil uma vez que uma redução da inflação externa acarreta redução de taxa de juros e em ritmo mais forte no país.
Inflação é o aumento contínuo e generalizado dos preços de bens e serviços em uma economia ao longo do tempo. Isso significa que a mesma quantidade de dinheiro passa a comprar menos bens e serviços. As causas para a inflação podem ser divididas em dois tipos: demanda e oferta e esta também pode ser causada pela expectativa de inflação futura. Se os consumidores acreditam que a inflação vai aumentar, eles tendem a gastar mais agora para evitar o aumento de preços no futuro. Isso, por sua vez, aumenta a demanda e, consequentemente, os preços.
No campo o bom resultado da produção reduz as pressões sobre preços de alimentos. Sendo assim o crescimento da agropecuária é bom para a inflação ao potencialmente gerar uma redução dos preços de alimentos o que garante maior segurança alimentar e saúde para a população.
















