Empresas globais de laticínios assumem a liderança na redução das emissões de GEE
GEE – Reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) - especialmente os do escopo 3, que ocorre nas fazendas – está na agenda das empresas de laticínios líderes há muitos anos.


Historicamente, os ganhos de produtividade abarcam a eficiência na produção de leite e baixas emissões por quilo de leite, mas são necessárias estratégias de redução mais abrangentes. Como não se pode reduzir o que não se pode medir, em 2010 a Federação Internacional do Leite (FIL/IDF), a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e a Iniciativa da Plataforma de Agricultura Sustentável (SAI Platform) passaram a trabalhar juntas para criar e harmonizar a metodologia da pegada de carbono do setor lácteo global, sendo o primeiro passo para redução das emissões de GEE.

Muitas das companhias listadas no ranking anual, Global Dairy Top 20, do Rabobank possuem objetivos sobre o clima ou assumem voluntariamente compromissos com a Iniciativa Science Based Targets (SBTi). Mais recentemente, companhias – incluindo a maioria que está presente no Top 20 – passaram a recorrer às orientações da SBTi para Florestas, Terras e Agricultura (SBTi FLAG).
Os níveis, os cronogramas e os escopos diferem entre as empresas, dependendo da regulamentação ambiental, das demandas dos compradores ou a pressão da população. Neste relatório, observamos que os objetivos de redução das emissões de GEE das Top 10, e algumas das estratégias que elas utilizam para atingir as metas. Várias dessas indústrias se comprometeram a reduzir em torno de 30% os níveis de intensidade e/ou emissões absolutas do escopo 3, até 2030.
A indústria já tomou inúmeras medidas para estimular a redução das emissões de GEE, como determinar as emissões nas fazendas, criando programas de sustentabilidade e mais recentemente incentivando os produtores através de bonificações e participação nos resultados. Ao mesmo tempo, os “parâmetros” continuarão fazendo parte da equação, com regulamentações mais específicas para a agricultura e o setor lácteo, bem como para enfrentar a pressão mais forte por parte dos consumidores que estão atentos à redução das emissões de GEE. Não respeitar os compromissos voluntários – como os objetivos SBTi – poderá ter consequências negativas para as indústrias de laticínios amanhã, assim como prejudicar sua reputação.
No entanto, para chegar aos objetivos de 2030 e posteriores, é crucial acelerar a taxa de adoção de medidas de redução de GEE. Isto porque, a queda de produtividade e os ganhos em eficiência podem começar a diminuir em regiões mais desenvolvidas à medida que nos aproximamos da data estabelecida. Depois de 2030, estas metas poderão ser mais rigorosas, e portanto, será necessário ampliar as ferramentas de mitigação nas fazendas.
Para atingir as metas estabelecidas, uma combinação bem equilibrada de incentivos e penalidades deve ser adotada, uma vez que as indústrias são incapazes, atualmente, de recompensar os agricultores pelos benefícios auferidos pelos atores do mercado mais na frente. O aumento dos incentivos financeiros para os agricultores provavelmente precisará da cooperação e colaboração dos outros elos da cadeia de valor. Com tal participação, parece possível reduzir as emissões de GEE em toda a cadeia de valor do leite no longo prazo e acelerar as taxas de redução.
















