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Destaque Selectus nº 6779

Atividade leiteira data ano com preços em baixa

Atividade leiteira - A queda na rentabilidade do setor de produção de leite marcou o ano de 2023. Segundo o Centro de Inteligência do Leite da Embrapa ( CILeite ), pequenos produtores de diversos estados chegam a receber menos de R$ 1,80 por litro de litro leite, o que, segundo o pesquisador da Embrapa Glauco Carvalho , é um valor insuficiente para remunerar a atividade.

Fonte: Fonte: Embrapa | Foto de capa: Imagem de Wolfgang Ehrecke por Pixabay
Atividade leiteira data ano com preços em baixa

“Os custos de produção tiveram altos notáveis ​​nos últimos anos e apesar de apresentarem um comportamento melhor em 2022 e início de 2023, a rentabilidade da atividade piorou”, relata. De janeiro de 2020 (pré-pandemia) a outubro de 2023, enquanto o preço do leite subiu 38%, o custo de produção aumentou 50%. “Isso mostra que a situação do produtor hoje é pior que nos anos anteriores”, completa Carvalho.

O que prejudicou ainda mais o setor no ano que terminou foi o fato de que na entressafra (período que vai de abril a agosto), quando as chuvas diminuíram no centro-sul do País e reduziram a oferta de leite, os preços caíram. Entre abril e julho, o valor pago ao produtor recuou R$ 0,49. “A entressafra costuma trazer algum problema para o produtor, elevando a margem de lucro, mas no ano passado isso não ocorreu”, diz o também pesquisador da Embrapa Samuel Oliveira . Segundo análise do CILeite, a queda sazonal da produção foi compensada por atualmente, que atingiu recordes históricos, resultando em maior oferta do produto no mercado e consequente redução no preço.

O baixo consumo de lácteos no mercado brasileiro nos primeiros meses do ano foi outro fator que contribuiu para a crise do setor em 2023. Dados da Scanntech apontam que o volume de vendas no varejo no primeiro semestre você descobriu em todos os derivados lácteos. No leite UHT essa queda foi de 4% e chegou a 7% no leite em pó, na comparação com o mesmo período do ano anterior. A redução do consumo fez o preço do leite e as consequências apresentarem uma deflação de 2,83% na primeira metade de 2023.

Importações

A Nota de Conjuntura Leite e Derivados, produzida mensalmente pelo CILeite, informa que, de janeiro a setembro de 2023, enquanto a produção cresceu 1,4% em relação ao mesmo período de 2022, a disponibilidade do produto no mercado subiu 5,3% , resultado do grande volume de importações, que chegou a representar 10% do consumo doméstico. De janeiro a novembro, enquanto os lácteos brasileiros chegaram perto de 2 bilhões de litros de leite equivalente, média mensal de cerca de 180 milhões de litros.

A grande oferta fez com que os principais derivados lácteos no mercado atacadista registrassem queda de preço ao longo do ano. No leite UHT, por exemplo, as cotações caíram de cerca de R$ 5,00 por litro, no início de abril, para cerca de R$ 3,80 em novembro. O queijo muçarela sofreu a mesma tendência, recuando de R$ 33,00 ou quilo para R$ 27,00. “As margens industriais estão em ruínas, com diversos laticínios amargando prejuízos nos principais produtos e é o mix de vendas que tem feito a diferença nos resultados das empresas”, afirma Carvalho.

A queda da rentabilidade do produtor fez com que o crescimento do volume de produção também retrocedesse ao longo do ano. No terceiro trimestre de 2023, esse crescimento foi de apenas 0,8% em relação a 2022. “Os dados do último trimestre ainda não foram divulgados, mas é provável que a produção siga fracassada também no último trimestre e no início de 2024”, diz Oliveira. Essa realidade reforça a estagnação pela qual passa a oferta de leite no Brasil, que está em um patamar próximo de 34 milhões de toneladas há cerca de uma década.

Os pesquisadores da Embrapa acreditam que a crise no preço do leite está chegando ao fim. Eles apontam alguns motivos para isso: a desaceleração da produção interna; a recuperação dos preços internacionais e o Decreto 11.732 /2023 , que entra em vigor em 2024, limitando a importação do produto. Outros fatores tendem a alavancar o consumo. Entre eles está o crescimento do produto interno bruto (PIB) brasileiro, que deve fechar o ano em 3%. A inflação controlada, a taxa de desemprego em queda, o aumento da massa salarial e os programas governamentais como o Bolsa Família e o Desenvolvimento são outras condições que ajudam a criar uma expectativa de expansão do consumo, proporcionando um mercado mais equilibrado em 2024.

Lições da crise

As análises do CILeite sugerem que devem ser tiradas algumas lições da crise. Uma delas é trabalhar para o aumento do consumo per capita, principalmente entre os idosos, que ganharam espaço na pirâmide etária do País. A cadeia produtiva do leite também precisa buscar mais eficiência e escala, reduzindo custos e tornando-se mais resiliente às crises. A pesquisadora da Embrapa Kennya Siqueira também acredita em soluções relacionadas à oferta de novos produtos por parte dos laticínios, promovendo uma diversificação. “Os estudos mostram que o consumidor está migrando para produtos que entregam mais valor, como, por exemplo, apelo nutricional ou funcional; ou ainda de conveniência, praticidade, sustentabilidade etc.”, revela Siqueira.

Acesse aqui a matéria na íntegra

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