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Especiais Selectus nº 6794

Austrália - As importações australianas de lácteos devem aumentar

Leite/Austrália – Recente relatório do Rabobank observa que o mix de importação e exportação de produtos lácteos da Austrália está “trocando de lugar lentamente” – com os volumes de exportação caindo acentuadamente nos últimos anos, enquanto que as importações aumentam.

Fonte: Fonte: Rabobank - Tradução livre: www.terraviva.com.br | Foto de capa: Photo by John Simmons on Unsplash
Austrália - As importações australianas de lácteos devem aumentar

O relatório Australian Dairy Sector Outlook mostra a mudança de lugar, e os analistas em agronegócio do banco dizem que o perfil do comércio global de lácteos da Austrália está em um período de transição – “uma confluência de fatores, incluindo baixa produção doméstica de leite, erosão da competitividade das exportações e retornos mais favoráveis do mercado interno, impactam no mix de produtos”.

O autor do relatório, o analista sênior de laticínios do RaboResearch, Michael Harvey, diz que o banco espera que as importações de laticínios “desempenhem um papel mais significativo” na cadeia de suprimentos doméstica da Austrália no futuro com a produção local de leite permanecendo restrita e à medida que o setor se ajusta para acomodar essa escassez.

“Isso criará oportunidade de crescimento para os exportadores de laticínios de todo o mundo, incluindo os da Nova Zelândia”, disse ele.

“Escassez crônica”

O relatório diz que a Austrália produziu 8.129 bilhões de litros de leite em 2022/23, registrando o “terceiro ano consecutivo de declínio”.

“Desde o mais recente aumento de produção em 2020/21, mais de 700 milhões de litros de leite saíram da cadeia de abastecimento”, disse Harvey, “resultando em uma escassez crônica de leite para as indústrias – que é o total de leite disponível, fora o utilizado para consumo doméstico e as exportações”.

De fato, em 2022/2023, a oferta de leite disponível para processamento atingiu o menor nível desde a década de 1990, disse ele.

Lento recuo

A Austrália tem um longo histórico de exportador de produtos lácteos e é “uma região chave para compradores internacionais, dada a elevada reputação de seus produtos de qualidade, acessíveis e inovadores”, diz o relatório. No entanto, a Austrália apresenta um lento recuo na arena global de exportação de lácteos há algum tempo, diz o banco.  

“As exportações de produtos lácteos caíram drasticamente em 2023”, disse Harvey. “Foram quedas de dois dígitos para a maioria dos produtos, com recuos mais acentuados em leite fluido (-41%) e manteiga (-52%).

Apesar da redução da produção doméstica de leite e dos volumes exportados, a Austrália continua sendo um exportador líquido de produtos lácteos em litros equivalente leite e ainda é o quinto maior exportador mundial, com 4% de participação no comércio global.

Pico de importação

As importações de produtos lácteos tiveram um papel crucial na cadeia de suprimento da Austrália por um longo período, diz o relatório. Mas, na última década, entre 2013 e 2023, o volume anual de importação de lácteos, em equivalente litros de leite dobrou, diz o Rabobank.

O ritmo de crescimento das importações mudou, com um aumento generalizado nos volumes em 2022 e 2023.

“Em 2023, a Austrália importou mais de 1,4 bilhões de litros de produtos lácteos em litros equivalente leite, excluindo caseínas”, disse Harvey.

“Grande percentual do mix de produtos importados é composto de produtos a granel e ingredientes – particularmente manteiga e leite em pó desnatado – uma vez que a produção nacional destes produtos diminuiu. Mas também aumentam a exposição de lácteos importados nas prateleiras dos mercados varejistas”.

O banco espera que as importações de lácteos cresçam ainda mais no médio prazo – impulsionados não somente pela redução da produção australiana de leite, mas também pela vantagem comparativa de custo dos produtos importados (preços mais baixos no exterior) e também pelo aumento da demanda por produtos de preço mais baixo para a população que vem perdendo o poder aquisitivo e enfrentam as pressões do custo de vida.

Oportunidades para a Nova Zelândia

Harvey disse que a Austrália é um importante mercado para os lácteos da Nova Zelândia e os exportadores kiwis estão bem posicionados para capitalizar o aumento esperado das importações australianas.

“Atrás da China, a Austrália é o segundo maior destino dos laticínios da Nova Zelândia, representando, aproximadamente, 5% das exportações de produtos lácteos da Nova Zelândia, em valor”, disse ele.

“A Nova Zelândia detém uma participação dominante das importações australianas de lácteos e é o maior fornecedor de manteiga e queijo para a Austrália. Parece estar bastante claro que a continuidade da escassez de sólidos do leite exigirá que as empresas australianas expandam as compras de lácteos e ingredientes, no médio prazo, criando oportunidades de crescimento para exportadores globais de laticínios.

“E, dada a proximidade da Nova Zelândia e a forte relação comercial existente entre os dois países, os exportadores neozelandeses parecem bem posicionados para tirar vantagem”.  

Acesse aqui a matéria na íntegra

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