Perspectivas globais e tendências do mercado de laticínios
Tendências – A produção global de leite atingiu um novo recorde em 2022 com aumento de 1,1%, mas pelo sétimo ano consecutivo há um declínio na taxa de crescimento da produção de lácteos em países produtores de queijo.

As duas principais causas foram apresentadas durante a sessão sobre as perspectivas globais e tendências do mercado de laticínios durante a Cúpula Mundial do Leite de 2023 (2023 World Dairy Summit).
“Aumentos acentuados dos custos de produção, energia, alimentação animal, fertilizantes entre outros”, disse o diretor geral do Centro Nacional Interprofissional de Economia Leiteira (CNIEL), Kean-Marc Chaumet.
“E um outro fator agravante é o clima adverso que vem atingindo muitas partes do mundo”.
O CNIEL, com sede na França, é representante de produtores de leite, cooperativas e indústrias privadas de laticínios.
Sua missão é apoiar a colaboração entre o setor lácteo e promover o desenvolvimento econômico. A entidade facilita as relações entre os agricultores e processadores e promove o leite e os produtos lácteos.
Chaumet destacou os desafios em todo o mundo e seus impactos no setor lácteo. Ele disse que a crise de covid resultou em um forte aumento na demanda por produtos lácteos.
Mas, algumas das tendências dos consumidores pré-covid retornaram, recentemente, como as preocupações com as mudanças climáticas, bem-estar animal e demanda local de produtos, disse ele.
As mudanças climáticas e a demanda por sustentabilidade dos consumidores se tornam mais urgentes, exigindo que o setor seja mais ágil e inovador para ir de encontro com estas preocupações.
A inflação está causando outro tanto de incertezas e com a guerra Rússia-Ucrânia o problema é ainda maior.
Em relação à participação no mercado global, Chaumet disse que a Índia hoje, responde por 24% da produção global de leite e está procurando chegar a 30%.
O crescimento mais expressivo vem da Ásia, com 12,5% em 2022. A África também apresenta um bom crescimento.
A expectativa é de que haja uma grande taxa de crescimento do consumo de produtos lácteos entre todas as categorias na próxima década, de acordo com o relatório anual da Organização Mundial da Alimentação e Agricultura (FAO) elaborado junto com a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
No entanto, o diretor do CNIEL, Laurent Damiens, alerta para quatro riscos que o setor lácteo precisa ficar atento:
- A guerra na Ucrânia permanece sendo o principal risco à economia global. O fim do Acordo do Transporte de Grãos através do Mar Negro pela Rússia, por exemplo, pode afetar severamente a segurança alimentar global e pressionar ainda mias os preços.
- Cenários econômicos, incluindo o fato de que China, Estados Unidos e Europa, estão altamente vulneráveis a choques no mercado imobiliário, instabilidades financeiras e segurança energética.
- A dificuldade com endividamentos é outro risco. O rápido aumento da dívida global nos últimos anos, impacta, particularmente, os países emergentes. As dívidas, que têm efeitos colaterais negativos sobre a atividade econômica e à estabilidade geral, aumentaram substancialmente como consequência do elevado patamar dos custos dos empréstimos.
- Mudanças climáticas. O aumento da frequência de eventos climáticos extremos apresenta múltiplos riscos econômicos para a economia no médio prazo.
Apesar de tudo isso, o CNIEL permanece otimista em relação ao futuro dos lácteos.
“De um modo geral, a perspectiva de longo prazo para o leite e o setor lácteo é positiva, embora alguns conflitos, junto com questões econômicas e políticas permaneçam sendo uma grande preocupação para o futuro imediato”, disse Damiens.
















