Os preços do leite na Espanha e França estão estagnados
Preços/UE – A União dos Campesinos de Castilla y León (UCCL) não concorda com a opinião da Federação Espanhola da Indústria de Laticínios (FeNIL): de que “o preço que se paga aos produtores persiste em níveis mais altos do que no resto da União Europeia (UE)” expressada dias depois da confirmação do “cartel do leite” na Audiência Nacional.

Cabe destacar que, o Observatório Europeu do Leite indica que nos 6 principais produtores, o preço subiu em relação a novembro de 2023 (Alemanha, Irlanda, Itália, Polônia e Países Baixos, entre 2% e 3% a maioria e até 10%), enquanto que na França e na Espanha foi mantido estagnado, apesar dos altos custos de produção. Em janeiro, a média nacional foi de € 0,517 por litro, o que representa queda de € 0,004 no litro em relação a dezembro de 2023 e um preço 13,69% inferior ao registrado em janeiro de 2023. Na opinião da UCCL, esses dados são totalmente contraditórios com as declarações de Luís Calabozo, diretor geral da FeNIL.
O número de pecuaristas que entregam leite continua caindo: em janeiro de 2024 foram 9.951, 640 menos do que no ano passado. A queda é contínua desde o começo do cartel do leite.
Por último, a UCCL estimula os pecuaristas a pedirem indenização por infração que poderia ir, por exemplo, desde os € 25.000 até € 35.000 por ano de produção no período compreendido entre 2000 e 2013 para 100 animais.
A infração foi corroborada pela resolução que a Comissão Nacional dos Mercados e da Concorrência (CNMC) emitiu em 2019 e que na semana passada, no dia 21 de fevereiro, foi confirmada na Audiência Nacional: esta ratificação por parte da Audiência Nacional abre espaço para a reclamação dos que foram prejudicados, e um novo prazo para entrar com os pedidos foi aberto. As empresas infratoras são Calidad Pascual, Central Lechera de Galícia (CELEGA), Corporación Alimentaria Peñasanta (CAPSA), Danone, Grupo Lactalis Iberia, Nestlé Espanha, Industrias Lácteas de Granada (Puleva) e Schreiber Food Espanha, além das associações do setor, Associação de Empresas de Laticínios da Galícia (AELGA) e a Federação das Indústrias de Laticínios da Catalunha (GIL).
Não somente a indústria, mas também as grandes redes de distribuição contribuíram para asfixiar os produtores de leite. A Audiência Nacional ratificou, também na mesma semana, duas multas da Agência de Informação e Controle de Alimentos (AICA) contra a Mercadona por não cumprir com a Lei estatal 12/2013 da cadeia alimentar. A rede de distribuição foi sancionada por comprar leite de dois de seus principais fornecedores para Marca da Distribuição abaixo dos custos de produção.
Em 2022 a Unión de Uniones (UyU), organização estatal que integra a UCCL, entregou uma denúncia, trabalhada com um escritório de advogados, à CNMC pedindo investigação e no seu caso, sancionar as três grandes redes de distribuição por fixar preços idênticos na venda de leite UHT de Marca da Distribuição, por um valor mínimo, durante três anos e quatro meses seguidos, desde a semana 51 de 2018 até a semana 12 de 2022.
A organização insiste na importância de dotar a AICA de maiores recursos para que possa fazer uma tarefa de acompanhamento e controle mais de perto, e fixar multas que desestimulem a indústria e a distribuição de cometerem estes tipos de abuso que prejudicam os pecuaristas e toda a sociedade.
















