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Especiais Selectus nº 6808

França – A produção de leite no Sudoeste da França está se desintegrando 

Produção/França – Em certas regiões, a produção de leite se apaga lentamente. É o caso da região Sudeste, onde a decisão da Danone de converter sua fábrica de Gers em indústria de leite vegetal soou como uma traição aos produtores de leite. Anunciada em 2021, a suspensão da captação foi realizada no outono de 2023.

Fonte: Fonte: Agri-Mutuel – Tradução livre: www.terraviva.com.br | Foto de capa: Photo by Andy Li on Unsplash
França – A produção de leite no Sudoeste da França está se desintegrando 

Se globalmente, os produtores conseguir transferir seu leite para fábricas da Lactalis, Sodiaal e, sobretudo, Savencia, - ou simplesmente para a produção – o fechamento da usina de Villecomtal-sur-Arros contribuiu para a erosão da paisagem leiteira.

Danone passa ao leite vegetal

Perdendo a Danone, a região perde um bom pagador. “Consegui mudar para a Savencia, mas não é a mesma relação”, lamenta Jérémy Bazillac, produtor de Jurançon. À frente de uma centena de vacas leiteiras, o produtor se juntou à OP Sol para valorizar os 950.000 litros de leite produzidos por ano, na fazenda, não sem arrependimentos. “Estou desolado com o fato de a empresa parar de captar leite para fazer um produto que nem é leite, cuja procedência não conhecemos”, afirma o jovem agricultor.

O leite perde o dinamismo

Mas o desprezo pelo setor lácteo não se resume a uma fábrica. Ajuda mútua, equipamentos, veterinários... “Todo o território está perdendo a dinâmica”, alerta Yoan Agard, produtor de Périgord. “É uma hecatombe”, acrescenta Clément Simian, dos Altos Pirineus. “A maior parte de meus vizinhos têm de 50 a 55 anos, com poucas perspectivas de recuperação. Não sei quantas fazendas leiteiras restarão daqui a dez anos”, acrescenta o jovem responsável por 180 vacas. A mesma observação faz Jérémy, ao sul de Pau: “Há 30 anos havia 25 produtores no meu vale. Hoje, eu sou o último”.

Na melhor das hipóteses, substituímos vacas leiteiras por outras em produção. Na pior, são as pastagens vazias. “Para nós, é a pecuária ou nada”, resume Clément.

Existe um consenso: o problema é o preço do leite. “Os fabricantes dizem que há necessidade de leite, mas, eles não querem pagar”, continua Clément.

Voltando à Savencia, o agricultor deplora as relações entre sua indústria e os produtores. “A usina de Jurançon é abastecida por três Organização de Produtores (OP). Nenhuma delas recebe o mesmo preço.

Mas as pastagens não são mais verdes em outros locais. “Eu saí da Sodiaal anos atrás porque os preços eram sempre muito baixos”, explica Clément. Eu não me arrependo, porém não tenho vontade de permanecer na Savencia”. “Estamos a apenas 100 km da fronteira espanhola. Imagino que eles têm um plano B de pegar leite fora da fronteira, supõe Jérémy. Hoje o leite anda quilômetros. Eles preferem fazer uma rota onde coletam grandes quantidades em uma só fazenda, do que ficar captando leite nos vales”.

Um preço do leite entre 450 e 500 €/1000 litros, como ocorreu no ano passado, é suficiente para manter as explorações funcionando. “Cabe a eles saber se querem ou não produtores de leite franceses”, conclui Clément.  

Acesse aqui a matéria na íntegra

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