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Especiais Selectus nº 6808

Rabobank – A pressão sobre as margens permanecerá para todos os produtores de leite em todo o mundo

Preços – Existem pontos positivos no horizonte que irão melhorar os preços globais dos lácteos, mas os produtores de leite de todo o mundo não aumentarão a lucratividade e continuarão enfrentando os desafios em relação à margem em 2024, dizem os analistas do Rabobank no novo relatório.

Fonte: Fonte: interest.co.nz – Tradução livre: www.terraviva.com.br | Foto de capa: Photo by Leopold Maître on Unsplash
Rabobank – A pressão sobre as margens permanecerá para todos os produtores de leite em todo o mundo

No relatório Q1 2024 Global Dairy Quarterly: Finding a new equilibrium, o Rabobank diz que as perspectivas sobre os preços dos produtos lácteos na maioria das regiões mais importantes indicam aumentos em relação ao desafiador ano de 2023, com margens melhores extremamente necessárias para os produtores.

“O crescimento da oferta de leite continuará difícil nas principais regiões leiteiras,como ocorreu no segundo semestre de 2023, período em que a produção foi menor na comparação interanual”, diz a coautora do relatório, Emma Higgins, analista sênior do Rabobank.

“O retorno à expansão da produção levará tempo. É provável que não antes dos dois primeiros trimestres. No 2º semestre haverá recuperação parcial, em parte devido à base fraca de comparação.”

Depois de dois semestres consecutivos de baixa oferta, uma resposta nos preços deverá se concretizar, como aliás, ocorreu após a retração da produção de 2021, que veio acompanhada de preços recordes em 2022.

“Mas a relação entre a oferta e a procura, desta vez, é diferente”, alerta Higgins. “A menor produção de leite será parcialmente neutralizada pela fraca demanda global nos últimos meses”.

Olhando para o futuro, Higgins diz que há cada vez mais indicativos de que a procura por produtos lácteos estará em ascensão.

“Os receios de recessão em muitos países ao longo de 2023 foram superados e, embora o resultado do Global Dairy Trade da semana passada tenha sido mais fraco, isso ocorreu após seis eventos consecutivos de alta de preços”, disse ela.

“Também vimos evolução positiva do lado da China, com vendas no varejo e nos serviços de alimentação mostrando força durante o Ano Novo Lunar e a desaceleração do crescimento da produção doméstica de leite. Com isso, é esperado que as importações melhorem em 2024, mesmo que permaneçam abaixo da média de longo prazo”.

Higgins disse que a expectativa do banco é de ganhos lentos, mas constantes. Os preços dos produtos lácteos devem se materializar este ano. “E, consequentemente, fizemos agora uma pequena revisão para cima da nossa previsão de preço do leite na Nova Zelândia para a temporada 2023/24, aumento em cinco centavos para NZ$ 7,80/kgMS, [R$ 1,74/litro].”

O que observar

O relatório identifica vários fatores importantes que devem ser observados de perto em 2024, incluindo as próximas eleições em muitas regiões leiteiras.

“As eleições para o Parlamento Europeu, em junho, e os estadunidenses que irão às urnas para eleger um novo presidente e muitos membros do Congresso, em novembro”, disse Higgins.

“Quaisquer mudanças de liderança podem significar novas abordagens políticas, incluindo acordos de livre comércio, políticas de sustentabilidade ou prioridades nutricionais que impactam nos produtos lácteos”.

O setor também deve ficar atento à evolução dos movimentos dos produtores de leite dos Países Baixos e da Irlanda, que enfrentam limites extremamente baixos de nitrogênio, o que os obrigará a reduzir as taxas de aplicação de nitrogênio orgânico proveniente do esterco animal a partir de 2024.

“Isso irá reduzir a capacidade de produção por hectare, o que obrigará a um reequilíbrio do tamanho do rebanho e/ou custos mais elevados para o descarte do esterco”, disse Higgins.

“E não apenas os Países Baixos e a Irlanda estão enfrentando esses desafios. Na Dinamarca os novos limites estarão sendo estabelecidos a partir de julho de 2024”.

Outros fatores identificados pelo relatório incluem conflitos geopolíticos, padrões climáticos e custos da alimentação.  

Atualização sobre a Nova Zelândia

O relatório diz que a previsão do preço da Fonterra para a temporada 2023/24 melhorou desde o último trimestre, aumentando 4% de NZ$ 7,50 para NZ$ 7,80/kgMS – ganho de 16% em relação à previsão anunciada no início da temporada.

“Apesar disso, existem algumas pressões financeiras persistentes relacionadas a questões de produção como calor no verão e a disponibilidade de água em algumas partes”, disse Higgins.

“A maioria dos agricultores encerraram os testes de prenhez, existindo uma oportunidade de descartar animais e equilibrar os gastos com alimentação. Felizmente, o volume acima da média de alimentos suplementares colhidos na primeira metade da temporada ajudará a entrada no outono”.

Higgins disse que a produção de leite na Nova Zelândia está bem acima da prevista no início da temporada.  

“Em termos de volume, o El Niño menos rigoroso do que o normal fez com que a queda da produção fosse de apenas 0,5%, em relação à temporada passada, nos primeiros oito meses, até janeiro de 2024”, disse ela.

No entanto, em termos de sólidos totais, houve aumento de 0,8% no mesmo período de comparação, como consequência do melhor desempenho da Ilha Sul. A previsão é de que a produção de toda a temporada 2023/24 terá uma queda de 0,7% em volume, em relação à temporada anterior. Mas a expectativa é de que 2024/25 tenha um início melhor, seja pela base de dados comparáveis mais fraca, ou pelas melhores condições do tempo.

O relatório diz que os volumes exportados nos três meses encerrados em janeiro de 2024 subiram 7% (69.000 toneladas) em relação ao ano anterior.

“Isto é superior à taxa de produção de leite no mesmo período e reflete as exportações fracas em 2022, juntamente com a compensação de estoques a preços mais baixos”, disse Higgins.

“As exportações neozelandesas para a China, nos três meses encerrados em janeiro de 2024, subiram 5%, com as remessas de leite em pó integral (WMP) e leite em pó desnatado (SMP) saltando 20% em janeiro de 2024, em comparação com o ano passado.

“Houve aumento do apetite pelos lácteos da Nova Zelândia de outros destinos no período, incluindo Oriente Médio (Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos) e Sudeste da Ásia (Malásia, Tailândia e Indonésia).” O relatório diz que as exportações de novilhas e gado pelo mar foram suspensas em abril de 2023, mas o tópico voltou a ser discutido pela nova coalizão governamental.  

Acesse aqui a matéria na íntegra

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