Argentina – Caíram fortemente as vendas de produtos lácteos no mercado interno
Consumo/AR – A deterioração do salário da população argentina nos últimos tempos ficou demonstrada nos dados recém publicados pelo Observatório da Cadeia Láctea Argentina (OCLA). As vendas de produtos lácteos caíram fortemente no mercado interno.

De acordo com o boletim publicado pelos analistas, as vendas apresentaram, no mês de fevereiro de 2024, um volume 4,8% inferior ao mês passado e em litros equivalente leite caíram 5,1% na comparação mensal.
Na comparação interanual (fev/24 vs fev/23) houve diminuição de -16,8% em volume e de -13% em litros equivalente leite.
No acumulado do primeiro bimestre do ano o volume de produtos vendidos diminuiu 17,3% e 12,7% em litros equivalente leite, em relação ao primeiro bimestre de 2023.

Analisando por grupo de produtos, a redução foi grande em todos os itens, exceto, queijos, que caiu apenas 3,7% em litros equivalente leite.
Os produtos de maior valor agregado e unitário como queijos frescos, queijos ralados ou leites aromatizados, iogurtes, flans e sobremesas, apresentaram uma grande queda associada à elevação dos preços e defasagem do poder aquisitivo dos assalariados argentinos.
A informação foi retirada do Painel das Indústrias Lácteas estabelecido a partir da Resolução 230/16 e informações históricas da Resolução 7/14 da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Pesca.
O Balanço Lácteo, que computa dados sobre produção, estoques, importações e exportações, calcula a diferença de consumo. Para o 1º bimestre de 2024 foi apurada queda de 10,9% do consumo total e, de 11,7% do consumo per capita, sempre medidos em litros equivalente leite.
De acordo com o OCLA, produtos como leites aromatizados ou achocolatados, que apresentaram alta taxa de crescimento no ano de 2022 (+27%), e que não tiveram um desempenho tão bom no ano passado, quando cresceram 8,8%, agora em 2024, despencaram 45,1%. Situação muito similar à apresentada pelos Postres lácteos y flanes.

“O que fica contundente é que as vendas e por consequência o consumo, apresentam uma tendência de baixa nos últimos anos, e uma primarização dos mesmos (produtos mais básicos: leites fluidos não refrigerados, queijos em pedaços de segundas e terceira marcas e iogurtes líquidos de litro, mais econômicos) em detrimento dos produtos de maior valor agregado” explica o Observatório.

O quadro é consequência da “forte deterioração dos níveis de renda real, especialmente nos segmentos médios, cuja margem de reduzir o volume de consumo, afeta o valor do mix de vendas fazendo com que se fature menos com as vendas internas”.
“Os controles de preço agravaram o processo de menor arrecadação da cadeia, assim como os direitos de exportação e a defasagem cambial”, destacou o OCLA.

“Em função deste novo cenário da política econômica, com liberdade de preços no mercado interno, sem direitos de exportação e câmbio competitivo, a estrutura comercial do leite foi alterada significativamente (relação exportação e consumo interno). O maior poder de compra do leite ao produtor por parte da indústria ocorre quando o destino é o mercado externo. A inflação generalizada e a deterioração do poder de compra da população (em particular da camada intermediária que define os níveis de consumo mais elevados) abrem uma grande questão sobre o comportamento do consumo interno, notadamente a validação dos significativos aumentos de preços”.
















