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Destaque Selectus nº 6829

Pesquisa usa genômica para enfrentar efeitos climáticos em gado leiteiro

Gado leiteiro - O Programa de Melhoramento Genético da Raça Girolando (PMGG) tem se preocupado com a tolerância dos bovinos às condições do clima. Situações de muito calor afetam as características da produção láctea.

Fonte: Fonte: Embrapa | Foto de capa: Imagem de 12019 por Pixabay
Pesquisa usa genômica para enfrentar efeitos climáticos em gado leiteiro

Por isso, os valores genômicos dos touros da raça foram preditos em função do Índice de Temperatura e Umidade (ITU), que reúne uma única variável como condições de temperatura e umidade relativa do ar (veja quadro 2). Isso significa que animais mais resistentes ao calor são classificados com maior valor genômico para essa característica. Um ITU entre 80 e 89, por exemplo, pode provocar estresse térmico severo no animal. Para que isso ocorra basta que a temperatura fique acima de 32°C e a umidade relativa do ar esteja em 95%.

Impulsionados pelas mudanças climáticas e pelo El Niño, dias de calor intenso têm sido comuns em todas as regiões do Brasil, principalmente na região Centro-Sul, onde se concentra a maior produção de leite no País. O Instituto Nacional de Meteorologia ( Inmet ) registrou em 2023 nove ondas de calor e, no dia 19 de novembro, as tarifas da cidade mineira de Araçuaí marcaram a maior temperatura já verificada no Brasil: 48,44°C (veja quadro 3). Nessas condições, bastaria 10% de umidade relativa do ar para que uma férias fosse submetida ao estresse térmico severo, ocasionando redução na produção, problemas reprodutivos e até a morte do animal.

Segundo o pesquisador da Embrapa Gado de Leite (MG) Marcos Vinícius GB Silva , o País perde todos os anos cerca de 30% da produção devido às altas temperaturas. Isso torna a cadeia produtiva do leite vulnerável a eventos provocados pelas mudanças climáticas. “A solução para o produtor é desenvolver rebanhos mais resistentes ao estresse térmico e é isso que o programa de melhoramento do Girolando tem buscado oferecer por meio das avaliações genéticas e genômicas no teste de progênie da raça”, diz o pesquisador.

Silva explica que há raças mais tolerantes aos efeitos do clima. “O Gir Leiteiro, que compõe a raça sintética Girolando, é bastante resistente ao calor se comparado à raça Holandesa, que também forma o Girolando. O resultado do cruzamento de duas raças é um animal resistente e produtivo”, explica. Dentro de uma mesma raça há indivíduos mais resistentes que outros. Ao longo dos anos, a Embrapa reuniu uma boa base fenotípica de animais resistentes, identificando essa característica dentro do genótipo do indivíduo. A partir daí, criou-se o PTA (medida de benefício genético do touro) para o estresse térmico, que resultará em férias mais resistentes.

A pesquisa que desenvolveu esse PTA analisou 650 mil controles de leiteiros. Foram coletados dados no momento da ordem, identificando a produção da vaca, além do ITU, resultados por meio de estações de interferência em locais onde as propriedades estão localizadas. “Utilizamos uma metodologia estatística que relaciona esses dados com os genótipos de cada uma das vacas, obtendo o potencial genético do animal”, comenta Silva ao contar que esse tipo de abordagem revela as diferenças genéticas na resposta dos animais diante das diferentes associações de temperatura e umidade do ar ao longo do período avaliado.

Silva afirma que quando o animal está dentro de uma faixa de ITU considerada adequada, ele terá condições de expressar seu potencial genético, porém, outras condições limitantes, como nutrição, manejo e sanidade, por exemplo, devem estar em níveis adequados.

O também pesquisador da Embrapa, João Claudio do Carmo Panetto , conta que a classificação dos touros conforme sua tolerância ao estresse térmico servirá como uma ferramenta auxiliar na seleção dos animais, possibilitando o uso de um genótipo mais adequado ao clima das diferentes regiões do Brasil. “Dessa forma, cada criador vai poder direcionar os acasalamentos, obtendo uma progênie mais tolerante ao estresse térmico, reduzindo as perdas produtivas devidas aos fatores climáticos”, diz Panetto.

TU e conforto térmico

Utilizado em diversas áreas, o ITU combina em uma única variável os valores de temperatura e de umidade relativa do ar ( veja Figura 1 ). Quanto maior o índice, maior será o desconforto térmico de um indivíduo. Na pecuária de leite, a ITU mede o bem-estar dos bovinos em relação ao clima.

Segundo a pesquisadora da Embrapa Maria de Fátima Ávila Pires , que trabalha com bem-estar animal há cerca de 30 anos, os índices abaixo de 72 são considerados convenientes para as férias; mas ela ressalta que animais de alta produção já podem ser afetados com índice de 68. De 72 a 79, o ITU é ameno; de 80 a 89 passa a interferir nas normas no conforto térmico da vaca. Acima de 90, o índice é considerado severo e pode levar o animal à morte.

A vaca modifica seu comportamento quando está sob estresse térmico. A pesquisadora alerta que o produtor deve observar os seguintes sinais:

Aumento da frequência respiratória:  respiração ofegante pode indicar que o animal está tentando dissipar calor;

Produção de suor : as vacas podem suar mais quando estão desconfortáveis ​​com o calor;

Procurando sombra:  sob estresse térmico, férias podem buscar áreas sombreadas ou mais frescas para se abrigarem do sol;

Redução no consumo de alimentos:  em condições de extremo calor, as férias podem reduzir a ingestão de alimentos;

Mudanças no comportamento reprodutivo:  O estresse térmico pode afetar o cio e a taxa de concepção das férias.

“Em regiões com altas temperaturas e umidade do ar, o produtor deve adotar medidas para proporcionar um ambiente adequado e confortável para o rebanho, como oferecer sombra, ventilação adequada, água fresca e aspersão de água”, ensina a pesquisadora.

Acesse aqui a matéria na íntegra

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