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Negócios Selectus nº 6839

Nestlé enfrenta críticas por adicionar açúcar ao leite infantil vendido em países pobres

Açúcar – A Nestlé acrescenta açúcar e mel ao leite e produtos destinados à alimentação infantil vendidos em muitos países pobres, concluiu o relatório da organização suíça Public Eye.

Fonte: Fonte: DiarioLechero – Tradução livre: www.terraviva.com.br | Foto de capa: Photo by Faran Raufi on Unsplash
Nestlé enfrenta críticas por adicionar açúcar ao leite infantil vendido em países pobres

A Nestlé controla 20% do mercado mundial de alimentação para bebês, avaliado em aproximadamente US$ 70 bilhões. Com mais de US$ 2,5 bilhões de vendas mundiais em 2022, Cerelac e Nido são algumas das principais marcas da Nestlé de alimentação para bebês, mais vendidas em países de baixa ou média renda.

A multinacional afirma que estes produtos são essenciais para o desenvolvimento saudável das crianças nos principais mercados da África, Ásia e América Latina.

Ao contrário das diretrizes internacionais que visam prevenir a obesidade e as doenças crônicas, a Public Eye descobriu a novidade depois de ter enviado amostras de alimentos para bebês da Nestlé vendidos na Ásia, África e América Latina a um laboratório belga para análise.  

Os resultados revelaram a adição de açúcar – na forma de sacarose ou mel – em amostras de Nido, a marca do leite infantil destinada a crianças de um ano ou mais, e de Cerelac, um cereal destinado a crianças de seis meses a dois anos.

A Internacional Baby Food Action Network (IBFAN) e a Public Eyes examinaram cerca de 150 produtos vendidos pela gigante da alimentação em países de baixa renda. Praticamente todos os cereais infantis Cerelac examinados continham açúcar adicionado – aproximadamente 4 gramas por porção, em média, ou seja uma porção de açúcar – destinados aos bebês a partir de seis meses. A quantidade mais elevada – 7,3 gramas por porção – foi detectada em produtos vendidos nas Filipinas.

A maioria dos produtos lácteos em pó Nido, destinados às crianças de um a três anos de idade examinados continham também, açúcar adicionado – cerca de 2 gramas por porção em média. O valor máximo (5,3 gramas) foi detectado em produtos vendidos no Panamá.

Além disso, o relatório revela que esses produtos vendidos na Suíça e nos principais mercados europeus da Nestlé não possuem adição de açúcar.

As diretrizes da Organização Mundial de Saúde (OMS) para a região europeia estipulam que nenhum açúcar ou edulcorante adicionado pode ser autorizado em alimentos destinados às crianças com menos de três anos. Ainda que nenhuma orientação seja dada especificamente para outras regiões, os pesquisadores disseram que o documento europeu é também pertinente para outras partes do mundo.

 Ao longo da vida, alguém pode criar uma preferência permanente por produtos açucarados, o que aumenta o risco de desenvolver obesidade e outras doenças crônicas. Desde 2022, a agência das Nações Unidas pede a suspensão de açúcar adicionado aos produtos destinados aos bebês e crianças com menos de três anos.

No comunicado, a Public Eye declarou: “Embora a Nestlé recomende publicamente evitar açúcar adicionado aos alimentos para bebês, ela aproveita a debilidade da regulamentação existente para continuar vendendo tais produtos em países de baixa renda. Ou seja, a pesquisa feita pela Public Eye e IBFAN mostra que a multinacional suíça utiliza estratégias de marketing enganosas, e de profissionais médicos e influenciadores das redes sociais para ganhar a confiança dos pais nos seus produtos”.

Em um comunicado enviado à FoodBev, a Nestlé diz: “Os alimentos para bebês são uma categoria altamente regulamentada. Nós adotamos, para todos, os mesmos princípios de nutrição, de saúde e de bem-estar, alinhados com as diretrizes internacionais. Isto inclui o respeito às exigências de rotulagem e aqueles relacionados ao teor de carboidratos, que incluem os açúcares. Comunicamos de forma transparente sobre nossos produtos aos consumidores e sempre declaramos o teor total de açúcar do produto. Nossa gama de cereais na Europa vem com e sem adição de açúcar. O mesmo se aplica a vários mercados na Ásia, América Latina e América do Norte, onde opções de açúcar adicionado também estão disponíveis para os consumidores. Pequenas variações nas receitas entre países dependem de vários fatores, incluindo regulamentos e a disponibilidade dos ingredientes locais, o que pode resultar em ofertas com menos ou sem adição de açúcar, não comprometendo o valor nutricional dos nossos produtos destinados a bebês e crianças pequenas. Fizemos esforços significativos para reduzir açúcar em todo nosso portfólio. Nos últimos anos, reduzimos em 11% a quantidade total de açúcar adicionado aos nossos cereais infantis em todo o mundo. Todo açúcar adicionado (sacarose, e xarope de glicose) vem sendo eliminado gradualmente nos leites de crescimento para crianças acima de 12 meses em todo o mundo. Continuamos inovando e reformulando nosso portfólio para bebês e crianças pequenas. Acreditamos na qualidade nutricional dos nossos produtos. Priorizamos o uso de ingredientes de alta qualidade adaptados ao crescimento e desenvolvimento de bebês e crianças pequenas. O nosso leite e cereais para crianças pequenas são enriquecidos com vitaminas e minerais, como o ferro, para ajudar a combater a desnutrição”.  

Acesse aqui a matéria na íntegra

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