Astúcia para ficar na batalha dos produtos lácteos
Mercados – O mês de março apresentou um quadro complexo para indústria de laticínios, porque o mês foi marcado pela volatilidade, mudanças regionais de produção e a evolução dos padrões comerciais – com destaque para a resiliência da indústria.

Uma análise completa dos fatores chaves, incluindo o Global Dairy Trade (GDT), a produção de leite na Nova Zelândia e no mundo, as exportações de lácteos e as perspectivas de médio prazo é ncessária para entender o estado atual e a trajetória futura da indústria.
No mês passado houve uma alteração significativa nos índices GDT. O enfraquecimento já era esperado, em grande medida, devido à queda habitual da demanda depois do Ano Novo Chinês, e ao aumento dos estoques antes do Ramadã no Oriente Médio. O leite em pó integral (WMP) variou -7,2% entre o evento 350 e 352, enquanto o leite em pó desnatado (SMP) registrou -9,7% de queda no mesmo período.
No entanto, a tendência de queda foi revertida no primeiro evento de abril, quando o Índice GDT aumentou 2,8%, indicando uma recuperação de preços depois do declínio temporário observado em março.
A tendência variada da produção de leite continuou através das diversas regiões do globo. Na Nova Zelândia, a produção de leite, em fevereiro, demonstrou resiliência, com a média de sólidos do leite crescendo 2,8% na comparação interanual, impulsionada pelas condições favoráveis do tempo. Entretanto, as projeções indicam um declínio potencial em março e para o resto da temporada. A projeção feita pela Bolsa de Futuros da Nova Zelândia (NZX), apontam para declínios de -1,6%; -1,1%; e -5,3%, nos meses de março, abril e maio, respectivamente.
Olhando para o preço, a NZX observa que houve um aumento na primeira semana de abril, logo depois do GDT 353, elevando a projeção do preço do leite ao produtor na temporada 2023/2024 para NZ$ 7,82/kgMS.
Além disso, depois da primeira semana de abril, os preços de todos os contratos futuros das commodities lácteas na SGX-NZX subiram.
Entretanto, as tendências globais de produção de leite continuam divergentes. Na Europa, os relatórios apontam para uma ligeira queda de 0,2% em janeiro, nos Estados Unidos foi registrado crescimento de 2,2% em fevereiro (mas queda de -1,3% na comparação interanual depois de ajustar fevereiro para 28 dias) e a Argentina enfrentou queda significativa de -17,7% em fevereiro, ajustando para 28 dias.
Por outro lado, Austrália e Uruguai relataram crescimento da produção (+4,9% e +3,5%, respectivamente, considerando o ajuste do ano bissexto) e mostrando a continuidade das disparidades regionais.
Do lado das exportações, a Nova Zelândia emerge como um proeminente player, registrando excepcional crescimento de 33% nos volumes exportados no mês de fevereiro. O resultado foi decorrente do significativo crescimento de 76% nas exportações de WMP, 62% nas remessas de manteiga anidra (AMF) e crescimento de 84% nas vendas de proteína concentrada de leite (MPC).
É preciso destacar que as exportações de WMP para a China dobraram na comparação interanual, e os volumes para o Oriente Médio alcançaram crescimento de 176%. No entanto, a Europa relatou declínio de -3% nas exportações de janeiro e os Estados Unidos, também em janeiro, recuou de -6,6%, recuperando em fevereiro, com aumento de 12,7% na comparação interanual, impulsionado pelo crescimento das exportações de queijo (+32,1%) em relação ao mesmo mês de 2023.
As exportações da Austrália e da Argentina aumentaram em janeiro +17,1% e +18,7%, respectivamente, em relação a janeiro do ano anterior.
Levando em conta essas circunstâncias, ficar informado e flexível será essencial para enfrentar tudo o que virá para o mundo do leite.
No futuro, a indústria de laticínios será confrontada com uma miríade de desafios e de oportunidades à medida que avança o segundo trimestre de 2024.
As incertezas persistem, como a recente epidemia de gripe aviária nos Estados Unidos, que atinge (no momento em que esse artigo é redigido), seis dos 24 principais estados produtores de leite, além da notificação de casos de transmissão aos humanos.
Isto enfatiza a nossa crença de que estratégias proativas e robustas sobre o estado do mercado serão essenciais para que os interessados possam transitar nesse cenário em ebulição.
A indústria deverá ser ágil para responder à evolução das preferências dos consumidores, às perturbações da cadeia de suprimento e às tensões geopolíticas.
Por outro lado, a sustentabilidade e a inovação continuarão a estimular o crescimento e a competitividade do mercado mundial por longo tempo.
















