NZ – Bancos projetam preço de NZ$ 8,40/kgMS para a próxima temporada
Preços/NZ – Faltando duas semanas para o encerramento da temporada 2023-24, todos os olhos se voltam para o preço do leite que será anunciado pela Fonterra para abrir a temporada 2024-25.

A expectativa é de que a baixa produção de leite em regiões importantes pressione o preço do leite nos próximos meses. Mas o crescimento da produção de leite na China pode alterar essa dinâmica.
O Rabobank e o Westpac projetam NZ$ 8,40/kgMS, [R$ 2,00/litro], para o preço do leite ao produtor no próximo ciclo. O banco ASB aposta em NZ$ 8,35/kgMS.
O último relatório do Rabobank diz que a produção de leite nas principais regiões exportadoras terá uma expansão modesta no terceiro trimestre, antes de ganharem algum impulso no final do ano.
“A baixa rentabilidade dos últimos 12 meses está levando à redução do rebanho em locais como EUA e América do Sul, enquanto questões relacionadas ao clima prejudicam a produção nas últimas semanas, na Nova Zelândia, por falta de chuvas, e na Europa por excesso de precipitações”, analisa Emma Higgins do Rabobank.
“E, em decorrência desse fraco crescimento da oferta de leite, haverá continuidade na recuperação do mercado de laticínios e melhora do preço do leite ao produtor na maioria das regiões do mundo”.
Higgins alerta, no entanto, que a recuperação pode não ser suave.
“Os sinais sobre a recuperação da demanda global estão indefinidos, e os consumidores continuam ‘com o poder de compra sob pressão’”, explicou ela.
“Embora o desemprego permaneça em níveis baixos, na maioria dos grandes mercados, o sentimento dos consumidores é de pessimismo. A inflação continua acima da meta na maioria dos países e as taxas de juros pressionam os custos das dívidas e o consumidor gasta mais em um momento em que os débitos acumulados pela inflação dos últimos anos desempenham um papel importante no orçamento familiar”.
Um outro potencial obstáculo para o preço do leite, de acordo com Higgins, é a elevada produção na China.
“Revisei a produção de leite na China para 2024, e a taxa de crescimento deve ser de 3,2%, refletindo uma produção mais elevada do que a prevista em decorrência do efeito retardado da última série de expansão leiteira no decorrer do período de 2019-2022”, disse ela.
Levando em conta esses fatores, diz Higgins, o banco estima que a retomada atual dos preços do mercado dos produtos lácteos será mais lenta do que o previsto no relatório do 1º trimestre.
“A alta dos preços verificada no final de 2023 e início de 2024 parece ter sido mais uma resposta aos preços baixos e reposição de estoques, do que uma elevação sustentável na demanda do consumidor na maioria das regiões”, disse ela.
“A menor dependência da China por importações constituirá também um obstáculo para o mercando mundial de lácteos nos próximos meses”.
Higgins disse que o maior crescimento da produção de leite na China constitui um desafio especial para as previsões do preço do leite pelo Rabobank para a próxima temporada do leite na Nova Zelândia.
“Os números da produção chinesa são particularmente importantes para o setor leiteiro neozelandês, levando-se em conta que mais de 30% das exportações da Nova Zelândia são destinadas ao mercado chinês”, disse ela.
“E consideramos o aumento da produção chinesa como um fator de risco para o preço do leite ao produtor na Nova Zelândia”. O relatório do Rabobank indica que um preço de NZ$ 8,40/kgMS na Nova Zelândia será rentável de um modo geral, mas persistirão as pressões sobre os orçamentos dos produtores locais.
“Se na temporada 24/25 o valor ficar próximo desse nível, os custos continuarão sendo elevados”.
















