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Especiais Selectus nº 6860

Argentina – Por que as famílias compram cada vez menos leite, queijo e iogurtes

Inflação/AR – Apesar da bomba recessiva que desacelera a inflação, os produtos lácteos não acompanham a curva de preços verificada no resto dos alimentos. Os derivados de leite acumulam aumentos que superam 100% desde a chegada de Javier Milei ao Governo e a defasagem dos preços com o resto dos produtos clássicos nas mesas das famílias se agrava cada vez mais. Paralelamente, o consumo despenca diante da sangria da renda.

Fonte: Fonte: El Destape - Tradução livre: www.terraviva.com.br | Foto de capa: Photo by engine akyurt on Unsplash
Argentina – Por que as famílias compram cada vez menos leite, queijo e iogurtes

Ao atualizar o último boletim do Indec, o item de alimentos e bebidas acumulou, nos primeiros quatro meses do ano, um aumento de 59,9%. Mas, o leite, os produtos lácteos e ovos aumentaram 88,2%. Ou seja, uma diferença de quase 30 pontos. Talvez por esta razão, Milei evitou responder quando perguntado sobre o preço do litro de leite na Argentina, durante uma entrevista concedida à BBC de Londres, algumas semanas atrás.

Segundo dados do Observatório da Cadeia Láctea Argentina (OCLA), o leite e derivados respondem por 10% do total de gastos com alimentos e bebidas das famílias e 4,4% dos gastos totais. Sobre a frequência de compra de produtos lácteos, 53,4% compram leite uma vez por semana, 48% compram queijos uma vez por semana, 38% iogurte e 30% manteiga. Com 190 litros por habitante/ano, o país tem o maior consumo da região.

Para compreender o impacto na microeconomia diária, basta somente revisar os preços desde a difusão dos dados das eleições de 2023:

- Litro do leite fresco integral: em novembro custava AR$ 457,10 e em abril, AR$ 1.276,28 (+179,2%)

- Leite em pó integral, 800g: em novembro custava AR$ 3.207,57 e em abril passou para AR$ 7.566,25 (+135%).

- Queijo cremoso kg: em novembro custava AR$ 3.115,09 e em abril AR$ 8.152,20 (+161,7%).

- Queijo pategrás kg: em novembro custava AR$ 5.488,53 e em abril AR$ 14.128,38 (+157,4%).

- Queijo sardo kg: em novembro custava AR$ 5.640,91 e em abril AR$ 14.302,32 (+153,5%).

- Manteiga 200g: em novembro custava AR$ 1.064,69 e em abril passou para AR$ 2.487,20 (133,6%).

- Iogurte firme 195cc: em novembro custava AR$ 600,79 e em abril AR$ 1.339,04 (+122,8%).

- Doce de leite 400g: em novembro custava AR$ 941,87 e em abril AR$ 2.229,21 (+136,6%).

O que dizem as vozes do setor lácteo

Jorge Giraudo, diretor executivo do OCLA, analisou o panorama em uma conversa com El Destape:”Vemos o diferencial grande entre os preços do atacado e do varejo. Com o choque inflacionário e a desvalorização, o setor comercial cheio de dúvidas se distanciou. Estimamos que logo haverá uma convergência entre as elevações dos preços e os aumentos salariais, e retorno ao consumo, que caiu quase 15%, especialmente produtos de maior valor agregado”.  

Até o momento, segundo um relatório da consultoria LCG, na segunda semana de maio a elevação dos preços dos alimentos foi em média 0,1%, desacelerando 0,9 pontos em relação à semana anterior. Até agora, no mês de maio, os alimentos acumulam 1,1% de inflação. Mas, os produtos lácteos aumentaram 2,5% em apenas sete dias.

Quanto aos níveis de produção, em março foi registrada queda de 0,2% em relação ao mês anterior (-6,6% na média diária) e interanual caiu 17,3%. No acumulado do primeiro trimestre o recuo foi de 12,1%. A produção de março de 2024 foi 12,8% inferior à média dos oitos meses de março no período de 2016-2023.

No acumulado, o primeiro trimestre do ano mostrou queda de 18,7% em volume de produtos e de 15,2% em litros de leite equivalente (-16,1% na média diária). Com o balanço exposto e a depressão da renda, o consumo também se ressentiu.   

Acesse aqui a matéria na íntegra

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