Dia Mundial do leite
Comemoração – O mundo se prepara para comemorar o Dia Mundial do Leite. Países de todos os continentes, se mobilizam para lembrar a importância do leite. De um lado, um rico alimento, e de outro uma atividade econômica de suma importância para muitos países, seja na produção e consumo do leite, como na Índia, no Paquistão e na China, ou no processamento em derivados de alto valor nutricional, como na Nova Zelândia e nos Estados Unidos, ou ainda em produtos sofisticados de Denominação de Origem Protegida (DOP), principalmente queijos, como na Itália, Espanha e França.

Neste Dia Mundial do Leite, é um momento importante para traçar um quadro do setor no Brasil, um país que começou tardiamente na produção e industrialização do leite. Ficou atrás de seus vizinhos, Uruguai e Argentina, por exemplo, permanecendo uma atividade com crescimento vegetativo até a década de oitenta do século passado. Na década seguinte a produção de leite cresceu 31%. Na primeira década do século XXI, a atividade se desenvolveu de forma robusta e o país torna-se um importante player no mercado global de lácteos.
O setor primário
O crescimento médio anual da produção de leite entre 2005 a 2014 foi de 4,1%, acumulando aumento de 42,7%. O Brasil passou de 24,6 bilhões de litros para 35,1 bilhões de litros de leite.
Esse período pode, entretanto, ser dividido em dois ciclos: 2005 a 2014 e 2015 a 2021.

No primeiro ciclo, o rebanho leiteiro sofria ligeiras oscilações, mas nada que comprometesse a atividade como um todo. No entanto, a partir de 2015, começou uma quase estagnação da produção de leite, com a queda acentuada do número de vacas ordenhadas. Do número recorde de 2011, de pouco mais de 23,2 milhões de cabeças, as vacas ordenhadas em 2017 já eram 16,8 milhões (-27,5%). O impacto na produção de leite não foi maior porque houve o aumento da produtividade animal, e ela foi crescendo até 2020, acumulando alta de 60%, desde o número máximo de vacas ordenhadas, em 2011.
A partir de então, as projeções para a produção brasileira de leite ficam sempre em torno de 35 bilhões de litros.

Em decorrência da extensão territorial, é preciso analisar individualmente as regiões, para observar a evolução de cada uma delas.
Os indicadores de 2005 a 2021, mostram que em todas as regiões houve aumento da produção e da produtividade, e queda no rebanho leiteiro.
Historicamente, o Sudeste era a maior região produtora. Porém, foi alcançada pela região Sul, em 2014, que impulsionou a produtividade, e reduziu em menos de 2% o número de vacas ordenhadas no período analisado. Já o Sudeste, reduziu em 33,3% as vacas ordenhadas, o maior percentual de queda, junto com a região Norte. Com esse movimento o Sudeste perdeu a hegemonia e o Sul surge com uma produção e produtividade vigorosa.

O gráfico acima mostra a destinação do leite produzido. A aquisição de leite pela indústria aumentou 54,3%, mais do que o crescimento da produção nacional que foi de 42,9%. Isso significa que a indústria avança, mesmo que lentamente, sobre o leite informal. Ainda assim, o percentual de informalidade no final do período é de 28,6% da produção nacional.
O leite processado em derivados de leite pela indústria vem aumentando em relação ao leite destinado para o consumo. Em 2005 os derivados consumiram 52% do leite captado, chegou a ser 63% em 2019, mas encerrou o ciclo com participação de 59%.

O consumo de leite fluido vem oscilando, e de 2005 a 2021 a variação média anual foi de 2,2%.

Entre os principais derivados, houve crescimento consistente da produção de Queijos, Iogurtes e Manteiga.

De acordo com os dados do IBGE, os produtos lácteos industrializados, em 2021, foram avaliados em 90 bilhões de reais, um crescimento considerável em relação aos 17 bilhões de reais de 2005.

E embora o número de unidades fabris tenha se mantido relativamente estável, muito em decorrência da concentração das indústrias, o crescimento do valor da produção mostra que o setor é promissor. E, nesse Dia Mundial do Leite, deve-se ter um otimismo cauteloso, e centrar ações para impulsionar o setor primário que está mudando de paradigmas.
Além do desastre climático que abateu sobre o Rio Grande do Sul, um grande estado produtor de leite, e que certamente irá afetar a produção nacional, existem outras condições adversas ocorrendo no Nordeste e que precisam ter uma atenção redobrada.
Por isso, as associações das indústrias de laticínios, G100, ABLV, ABIQ e Viva Lácteos, irão realizar no dia 05 de junho de 2024 ‘O Grito da Cadeia Láctea’ no Auditório Nereu Ramos da Câmara dos Deputados, das 9 às 13 horas.
Com o tema: ‘Conquistas tributárias como motor da estruturação da cadeia láctea’, várias lideranças e especialistas do setor lácteo brasileiro irão debater cláusulas da Emenda Constitucional 132, que trata da reforma tributária, reivindicando a inclusão na Cesta Básica de todos os produtos lácteos com alíquota zero.
















