França – Estabelecer o preço do leite ao produtor é um verdadeiro quebra-cabeça
Preço/França - Em duas reportagens, o La Tribune analisa o preço do leite ao produtor por ocasião das comemorações do 10º Dia Mundial do Leite. De acordo com o jornal, estabelecer o preço do leite ao produtor na França é um verdadeiro quebra-cabeça.

O pagamento de € 460 por 1000 litros de leite, [R$ 2,74/litro], é considerado um preço justo. Mas, duas empresas, La Laiterie de Saint-Denis-de-l’Hôtel (LSDH) em Loiret, e Laiterie de Verneuil, em Indre, pagam mais do que isso aos seus fornecedores.
As comemorações do Dia Mundial do Leite realizadas no 1º de junho foram sob o signo do otimismo. Com reajuste de 5% em 2024 na comparação com 2023, “o ouro branco” atingiu o preço médio de € 460 por 1.000 litros, o que resulta no preço de € 1,00 por litro ao consumidor.
“As altas de 2022 e 2023 permitiram que hoje seja assegurada uma remuneração justa aos produtores de leite", explica um especialista do setor. Pode-se mesmo afirmar que está entre as melhores remunerações do setor agrícola, exceto o de cereais. “Agora está em jogo manter esses aumentos de preço ao longo do tempo”.
Esta é a chave para a sustentabilidade das fazendas leiteiras, cujo leite é a principal fonte de renda.
No entanto, desde 2022 os custos de energia tiveram aumentos significativos, junto com reajustes nos transportes e mão-de-obra.
Na França, o preço do leite praticado por uma indústria é baseado em um contrato firmado entre uma organização de produtores ou uma cooperativa. Assim, não é uma variável independente, mas correlacionada com outros objetivos da negociação, o que torna um verdadeiro quebra-cabeça.
Quais critérios, então, são concretamente utilizados para pagar os produtores de leite franceses, cujas relações com as indústrias continuam muito complexas?
Lactalis contra a União Nacional dos Produtores (Unell), Savencia contra Surlait... Na França, o preço do leite é regularmente fonte de conflitos exacerbados entre as indústrias de laticínios e seus fornecedores, que não se consideram suficientemente remunerados.
O presidente francês, Emmanuel Macron, surpreendeu a todos, em fevereiro, durante o Salão da Agricultura, quando prometeu estabelecer “preços mínimos”. Em outras palavras, limites abaixo dos quais as indústrias não podem pagar pelos alimentos que compram dos produtores, mas também, abaixo dos quais os distribuidores não podem vender aos consumidores.
E este preço mínimo, seria formado através dos indicadores de custos de produção de cada setor, indicadores estes que já deveriam ser estabelecidos ao abrigo das disposições das leis EGalim, um conjunto de leis e normas que procuram estabelecer um equilíbrio entre as relações comerciais dentro do setor agrícola, levando em consideração a oferta de alimentos saudáveis e sustentáveis. O conjunto de leis EGalim já tem duas edições.
Ao mesmo tempo, de um lado ao outro da França, boas práticas de produção, saudadas pela imprensa, florescem com o objetivo de garantir aos produtores um “preço justo”. Portanto, concretamente, quais são os critérios utilizados, hoje, para pagar os produtores de leite franceses? E o que torna tão complexa a sua relação com os laticínios? Inúmeros elementos entram em jogo, o que muitas vezes torna as comparações difíceis, explica a Federação Nacional da Indústria de Laticínios (FNIL).
















