Os corações fracos devem evitar o Brasil
Brasil x Nova Zelândia – Os kiwis que tiveram uma vasta experiência no país expõem suas oportunidades e armadilhas.

Brasil e Nova Zelândia podem ter relações diplomáticas há 60 anos, mas esse imenso país continua a ser um deserto para todos, exceto para os mais determinados quando se trata de investir na agroindústria.
O painel Mystery Creek Fieldays realizado pela NZ Trade and Enterprise (NZTE) forneceu às empresas interessadas em entrar no setor agrícola do Brasil algumas informações preciosas sobre as oportunidades e desafios dentro de suas enormes fronteiras.
O agricultor da Ilha Norte, Murray Douglas e sua família gerenciam suas operações no Brasil há 14 anos, ordenhando cerca de 3.000 vacas em duas unidades. Depois de chegar como um “ingênuo gringo” ele declarou que só agora o empreendimento começou a dar bons resultados, supervisionado por seu filho Roger.
“O Brasil tem déficit de leite, e a oportunidade é produzir leite de qualidade em escala. O preço do leite é 25% acima do da Nova Zelândia, aproximadamente NZ$ 12,50 por quilo de sólidos atualmente, e seu preço é mensal, fazendo com que se tenha que produzir rapidamente, mas também terá um retorno rápido”, disse.
Josh Wheeler, diretor de operações da auditoria QCONZ, disse que os produtores brasileiros estão optando por operações tipo confinamento e eles se adaptam rapidamente a tecnologias.
No entanto, o desafio enfrentado frequentemente é a elevada incidência de mastite, um problema que afeta 20% do rebanho.
Ele disse que o Brasil provou ser um mercado difícil para as empresas de auditoria e que os pioneiros têm que ser rápidos no mercado, já que os concorrentes são rápidos em imitar os planos de negócios e usurpam os inovadores.
Isso pode ser apresentado sob a forma de incentivos fiscais ou de subsídios.
Tanto ele quanto Douglas alertam sobre o elevado nível da burocracia e a importância de preencher todos os itens de um formulário e esperar que tudo tenha sido feito corretamente.
“O sistema bancário também é bastante desafiador e existem múltiplos mecanismos fiscais. Conseguir financiamento de uma dívida com um período de amortização razoável, superior a dois anos, pode ser muito difícil”, disse Douglas.
O financiamento dos fornecedores é uma fonte de capital corrente para aqueles que procuram desenvolver seu negócio, mas grande parte dos financiamentos sazonais disponíveis são orientados para operações agrícolas, e raros são aqueles destinados à produção de leite.
Ele disse que embora muitos acreditem que o objetivo do Brasil é derrubar árvores e destruir as florestas tropicais, na verdade, existem muitas regras que limitam isso e o que pode e o que não pode ser derrubado. A tomada de consciência das percepções do mercado está crescendo, assim como as regras relacionadas à prova da origem da carne e do leite, resultando em normas ambientais rigorosas, embora não tenham chegado ao nível da Nova Zelândia.
Douglas lembrou as palavras do seu filho quando assumiu, pela primeira vez, o projeto da família no Brasil: “É preciso perceber que nosso foco é ser uma empresa agrícola brasileira, e não uma empresa agrícola neozelandesa no Brasil. Você deve se concentrar muito claramente sobre a razão pela qual se está ali. Não existe uma oportunidade de entrar e sair. É necessário um engajamento de longo prazo. E, a menos que você tenha experimentado o Brasil, não temos a compreensão de sua amplitude”.
Pedro Simão, gerente de desenvolvimento de agronegócio da NZTE sediada em São Paulo, enfatiza que “O Brasil não é para iniciantes”.
“Uma vez engajado, no entanto, existe uma enorme oferta de oportunidades em termos de número de animais. Mas, trata-se de um mercado vasto e complexo que pode trazer dificuldades se você não fizer o dever de casa”.
Giuliana Silveira, CEO do Conselho Latino-americano de Negócios da Nova Zelândia, declarou que existem poucas chances para que a Nova Zelândia conclua um acordo de livre comércio com o Brasil em um futuro próximo. Existe mais esperança de que possam ter acordos assinados mais rapidamente com o Chile, México e Peru.
















