AR – Mais de 60% da superfície de Santa Cruz está coberta de neve
Emergência climática/AR – Foi elaborado um levantamento pelas Agências de Extensão Rural do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA) de Santa Cruz, abrangendo 70 estabelecimentos pecuários da província, pedindo informações sobre altura média da neve, tempo de queda, permanência, condições de acessibilidade por vias e estradas, entre outras questões.

Também foi desenhado um mapa esquematizando a profundidade da neve. Maria Virginia Sturzenbaum e Gabriel Oliva da equipe de trabalho nos detalharam alguns dados obtidos.
“A situação da província é muito complicada no que se refere ao clima, pois em todos os invernos deste tipo procuramos preparar relatórios técnicos”, começa Sturzenbaum, que foi um dos oito técnicos do INTA Santa Cruz que se propôs a informar a situação o mais rápido possível. “Entramos em contato com 70 produtores para obter informações sobre a profundidade da neve, acesso ao campo, a fazenda, morte de animais e se a alimentação do rebanho está sendo suplementada”. Este levantamento da situação da província, mostra as necessidades e as ajudas necessárias para cada estabelecimento.
Gabriel “Faty” Oliva destaca as imagens de satélites do boletim: “Conseguimos imagens do índice de neve e podemos comparar com os dos últimos 20 anos. A nevasca é extraordinária, desde o início de maio muitas regiões estão debaixo de neve, são muitos dias de neve e, os animais não têm acesso às pastagens. Muitos estabelecimentos estão com problemas de acessibilidade”. Uma análise detalhada das temperaturas mostra que as quedas são extraordinariamente baixas. A média de junho variou de -6° a -15° C, e durante os meses de maio e junho não chegou a ZERO.
São 14 milhões de hectares debaixo de neve, representando 60% da província, o que se caracteriza como algo inédito. “Não se viu nos últimos 20 anos, e não há outro precedente pela extensão e a profundidade”. Por mais de um mês os campos estão cobertos com camadas de neve e geada, impedindo o acesso dos animais às forragens. “É difícil fazer uma previsão da forragem de inverno. Não existem áreas produzindo forragens que deveriam ser armazenadas desde o verão”.
Virginia Sturzenbaum, que também provém do meio pecuário, diante da situação diz: “O que se sugere e recomenda é fazer suplementações de sobrevivência. Dar aos animais o mínimo possível de fibras com ração, em fardos de feno ou alfafa, para que eles sobrevivam a este período crítico”.
Esta situação resultará em uma fonte a mais de água para os rios da região. “A água acabará chegando às águas subterrâneas, e este será, seguramente, um ano com mais água. Todos nossos rios estão com pouca água, exceto o rio Santa Cruz, e a neve irá ajudar”.
Independentemente do boletim e antes do fim do inverno, ambos preveem grande mortalidade de animais, um impacto que deverá ser enfrentado nos próximos anos.
















