Inflação impacta exportadores mundiais, diz o USDA
Mercados – A crise econômica na Argentina, o impacto na indústria de laticínios domésticos, e competitividade de exportações, foi o destaque do último relatório sobre mercados mundiais e negociações de lácteos elaborados pelo Serviço de Agricultura Estrangeiro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA/ FAS).

O país da América do Sul viu a taxa de inflação dos alimentos e bebidas não alcoólicas aumentar mais de 300% no início de 2024. Esse crescimento moderou um pouco agora.
Para apoiar o setor lácteo, o governo adotou diversas medidas, incluindo a reabertura dos registros de exportação de forma a gerar receita em moeda estrangeira. A produção de leite de vaca caiu 7,4% atingindo 10,8 milhões de toneladas, o que significou uma rápida recuperação dos preços domésticos, mas um declínio do consumo interno estimado em 7% neste ano. As exportações foram favorecidas pela desvalorização da moeda, e os volumes aumentaram 10% nos primeiros cinco meses de 2024, em comparação com o mesmo período de 2023. A dúvida das indústrias, agora, é se voltam para o volátil mercado doméstico, ou focam em exportações mais lucrativas, afirma o relatório FAS.
Enquanto isso, na Austrália, a produção de leite está estimada em 8,8 milhões de toneladas, com crescimento de 3,5%. O país está vendo o aumento dos preços domésticos do leite, e também o aumento da demanda de exportação de produtos lácteos para a Ásia. A estabilidade do dólar manteve os preços de exportação competitivos, de acordo com o FAS.
Na União Europeia (UE), a produção de leite encontra-se estagnada, embora o rebanho leiteiro tenha caído abaixo de 20 milhões de cabeças, em decorrência do baixo preço do leite e elevado custo de produção. Políticas ambientais, como as relacionadas ao nitrogênio nos Países Baixos, também estão tendo um papel importante na redução da produção, diz o relatório FAS.
Na Nova Zelândia, é previsto um decréscimo de 0,7% e a produção de leite fluido atingirá 21,1 milhões de toneladas. As altas taxas de juros e os elevados custos dos insumos de produção pressionarão o equilíbrio financeiro, e representam motivos de preocupação. Ainda assim o setor continua investindo na capacidade de processamento. Cerca de 95% do leite produzido vai para exportação, e no mês de janeiro, de acordo com os termos do acordo de livre comércio a tarifa de exportação para a China foi reduzida a zero. As exportações neozelandesas aumentaram 5% até o presente momento, em 2024, com produtos mais diversificados enviados para o exterior.
É interessante observar que as exportações de queijo da Nova Zelândia caíram 6%, enquanto que as da Austrália aumentaram 28% em relação ao ano anterior, e as do Reino Unido e dos Estados Unidos subiram 12% e 17%, respectivamente, em relação a 2023. A União Europeia (UE) continua sendo o principal exportador mundial de queijo com alta de 1% este ano, na comparação interanual, o correspondente a 1,4 milhões de toneladas, em 2024. A produção aumentou em torno de 1% e atingiu 10,5 milhões de toneladas. O turismo e hotelaria contribuíram para aumentar o consumo interno na UE.
A produção australiana de queijo é estimada em 435.000 toneladas, das quais cerca de 380 mil são consumidas dentro do país. As exportações são destinadas, principalmente, para o Japão, a China e outros países do Sudeste Asiático.
O relatório FAS prevê que nos Estados Unidos da América (EUA) atingirá um novo recorde de exportações de queijo, podendo chegar a 466.000 toneladas, ou seja, um aumento de 5% em relação a 2023.
















