EUA – A batalha pelo fornecimento de leite ficará mais acirrada
Leite/EUA – Com a oferta apertada, a alta dos preços do leite, e o aumento da capacidade dos fabricantes de queijo, muitos tanques poderão ficar vazios. Segundo Sarina Sharp, analista do Daily Dairy Report, os queijeiros de um modo geral, estão sempre dispostos a pagar mais pelo leite para manterem seus tanques cheios, mas não as indústrias de leite em pó desnatado que dependem do leite barato em tempos de grande oferta.

“Na ausência de leite excedente – como está ocorrendo no momento – a produção combinada de leite em pó desnatado e leite seco desengordurado (SMP/NFDM) tende a ser inferior à produção de outros produtos lácteos”, disse Sharp.
Por exemplo, de janeiro a junho, a produção de SMP/NFDM declinou 15,2%, em relação ao mesmo período do ano passado.
Se os produtores de leite continuarem lutando para aumentar a oferta de matéria prima e a capacidade de transformação crescer como o previsto, a produção estadunidense de leite em pó poderá continuar diminuindo, enquanto aumenta o processamento de manteiga e queijo, acrescentou ela.
“Mesmo que a produção de leite tenha ficado 11 meses em queda, na comparação interanual, os bons preços da manteiga convenceram os produtores a aumentarem o nível de matéria gorda do leite, o que acabou compensando a queda da produção. Os produtores de leite estadunidenses têm-se concentrado quase que exclusivamente no aumento da matéria gorda do leite e não fizeram progressos semelhantes em outros componentes. A média mensal do nível de manteiga do leite vem subindo ano a ano, desde junho de 2020”, disse Sharp.

Nos primeiros seis meses de 2024, a produção de leite nos Estados Unidos da América (EUA) caiu 0,9%, em relação ao mesmo período de 2023, chegando ao menor valor em quatro anos.
No entanto, a produção de manteiga cresceu 1,8%, fornecendo creme de leite suficiente para produtos Classe II e manteiga. Não foi surpresa, a produção recorde de manteiga, observou Sharp.
A título de comparação, nos 12 meses encerrados em junho de 2024, a média do nível de proteína do leite estadunidense foi de 3,28%, ligeiramente acima dos 3,26% registrados nos 12 meses anteriores. O modesto aumento do nível de proteína mal compensou a menor produção de leite. A produção total de proteína nos primeiros seis meses deste ano subiu apenas 0,1% na comparação interanual.
“O declínio da produção de leite nos EUA e o aumento da capacidade de processamento acabou gerando uma grande competição pelo leite. Os preços no mercado spot no Centro-Oeste superaram as médias históricas em 48 das últimas 52 semanas, mas o aumento dos níveis dos componentes cria um quadro mais complexo. Há creme mais que suficiente disponível para todos os usos, enquanto que os níveis de proteínas e sólidos são menores. Além disso, está havendo um aumento inesperado no engarrafamento de leite, forçando as indústrias a procurarem leite para queijo e secadores mais longe. Com a entrada em operação de novas plantas, a competição pelo leite ficará ainda mais acirrada”, esclarece Sharp.
















