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Destaque Selectus nº 6914

Tamanho específico da raça Crioula Lageana é garantido em bancos genéticos

Raça - Uma pesquisa da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (DF) acordou touros da raça bovina Crioula Lageana para serem doadores de sêmen, a fim de garantir a conservação da variabilidade genética desses animais em bancos de germoplasma. O tamanho efetivo da população encontrada nesse estudo foi de 21 animais que, embora esteja abaixo do recomendado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura ( FAO , na sigla em inglês) para garantir que não haja risco de extinção, é considerado bom por se trata de uma raça de pequena população (aproximadamente 1.500 indivíduos no Brasil).

Fonte: Fonte: Embrapa | Foto capa: Imagem de Ellen por Pixabay
Tamanho específico da raça Crioula Lageana é garantido em bancos genéticos

A estimativa de tamanho efetivo representa quantos reprodutores não aparentes, tanto machos quanto fêmeas, estão efetivamente participando dos cruzamentos e contribuindo geneticamente para uma população. Ou seja, embora o rebanho total da raça Crioulo Lageano tenha aproximadamente 1.500 animais, estima-se que um total de 21 animais não aparentados desenvolvidos para a formação de rebanhos.

De acordo com a FAO, a sobrevivência de uma raça ao longo do tempo é garantida com um tamanho efetivo de rebanhos em cerca de 50 animais. No caso do gado Nelore, por exemplo, que tem milhões de cabeças em todo o mundo, diferentes estudos estimam que o tamanho efetivo do rebanho é em cerca de 100 animais, segundo a pesquisadora da Embrapa Patrícia Ianella .

“Essas raças localmente adaptadas, como a Crioula Lageana, o número de animais normalmente é muito pequeno e, portanto, a população efetiva é ainda menor”, ​​explica o pesquisador. No estudo, a Embrapa analisou 450 animais registrados, de oito fazendas, com o objetivo de avaliar a variabilidade genética dos rebanhos e orientar cruzamentos nas diferentes propriedades, em parceria com a Associação Brasileira de Criadores de Bovinos da Raça Crioula Lageana ( ABCL ). 

Avanço

Para o Programa de Conservação e Uso de Recursos Genéticos Animais da Embrapa , do qual a Crioula Lageana faz parte, o trabalho em parceria com a ABCCL foi um avanço. “O tamanho específico do material dessa raça que temos guardado em nosso Banco Genético é de 10 animais. Com o estudo realizado, conseguiremos aumentar o nosso tamanho efetivo para 21, a partir da coleta de alguns touros-chave dos rebanhos das fazendas participantes”, destaca Ianella.

Alguns materiais já estão sendo eliminados, mas outros ainda dependem da disponibilidade dos produtores para levar os animais para uma central de coleta, por exemplo. Ianella acredita que esse trabalho de atualização do Banco Genético deve estar concluído em, no máximo, cinco anos.

Seleção e melhoramento irão beneficiar os produtores

Mas o trabalho vai além das análises genéticas realizadas pela equipe da Embrapa. Ele começou quando a ABCCL encontrou o pesquisador Alexandre Floriani , que já auxiliava a associação, para elaborar um projeto que ajudasse os criadores a organizar o manejo genético da raça e a realizar a seleção e o melhoramento genético. “No caso de um rebanho pequeno, existe a possibilidade de se perder variabilidade durante esse percurso. Por isso eles nos procuraram, para garantir que isso não aconteça”, afirma Floriani.

Essa análise permitirá, por exemplo, orientar os cruzamentos para evitar a endogamia (cruzamento entre parentes), maximizar a variabilidade e selecionar características para melhorar a produtividade da raça. Para minimizar o risco de extinção, a Embrapa e a ABCCL buscaram por criadores que não estão associados, para trazê-los para o programa. “Com isso, a gente pode identificar uma maior variabilidade e aumentar esse tamanho populacional efetivo”, esclarece.

De acordo com o pesquisador, o trabalho de melhoramento genético deve resultar em animais com melhor desempenho ponderal (ganho de peso) e qualidade de carcaça e da carne, sem perder as características adaptativas que a raça alcançada por meio da seleção natural, como maior tolerância térmica e resistência a parasitas e algumas doenças.

“Atualmente, também estamos desenvolvendo um trabalho de uso do Crioulo Lageano em cruzamentos com animais nelores na região do Matopiba”, comenta Floriani, explicando que esse estudo tem o objetivo de produzir carne premium, de forma sustentável, em região de clima tropical.

Acesse aqui a matéria na íntegra

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