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Especiais Selectus nº 6921

AR – A indústria de laticínios pretende focar mais nas exportações do que no mercado interno

Leite/AR – Há tempo que o setor lácteo argentino enfrenta altos e baixos, com encerramento de fazendas leiteiras familiares diante da perda de rentabilidade e um processo de concentração, onde as grandes fazendas crescem em detrimento das pequenas, que em muitos casos ficam alijadas da atividade cultural e familiar.

Fonte: Fonte: Bichos de campo/Tradução livre: www.terraviva.com.br | Foto de capa: Photo by Vidar Nordli-Mathisen on Unsplash
AR – A indústria de laticínios pretende focar mais nas exportações do que no mercado interno

Neste dilema, a produção de leite – e industrial – se debate historicamente entre produzir para o mercado interno, ou para a exportação, modelo que impacta em toda a cadeia produtiva.

Os dados do consumo interno de produtos lácteos mostram sinais de crise, assim como toda a economia argentina, com forte queda no primeiro semestre do ano. O Observatório da Cadeia Láctea Argentina (OCLA) diz que nos primeiros seis meses de 2024, os lácteos venderam 17,3% menos em relação ao mesmo período do ano passado.

A província de Santa Fe é o atual berço da leiteria argentina, concentrando a maior quantidade de fazendas leiteiras e de indústrias de laticínios, constituindo uma referência.  

Diante do problema de fechamento de fazendas familiares de produção de leite voltadas ao consumo interno, o diretor de lácteos da Província de Santa Fe, Carlos De Lorenzi, informou que atualmente encontra-se trabalhando para modificar a matriz produtiva, priorizando a exportação em detrimento do mercado interno, e assim evitar o fechamento de unidades familiares produtivas.

O dirigente da província analisou o quadro atual da atividade e afirmou: “Acredito que chegou o momento de determinarmos o que queremos para o setor lácteo nacional. Se mantivermos uma atividade para o mercado interno, continuaremos perdendo fazendas e enfraquecendo a atividade. Isso é o que vem ocorrendo desde 1997 até agora”.

De Lorenzi destacou que atualmente sua gestão está focada na exportação, coincidindo com a gestão nacional, visitando empresas para entender o que é necessário fazer para mudar o foco e destinar a produção de leite para os mercados externos.

“Aqui em Santa Fe, já temos uma noção clara. Depois de visitarmos as empresas, detectamos que para exportar, serão necessários financiamentos individuais para as indústrias aumentarem a escala de produção”, disse o responsável em uma entrevista ao programa de rádio Puesteros.

De Lorenzi reconheceu que hoje o foco é 100% exportador. “Visitamos as empresas, especialmente as menores, que podem gerar um incremento mais significativo. As que estão em condições de exportar receberão atenção do Senasa, do INTI, com a competência que cada um tem para ajudar a gerar a escala de exportação. Se exportarmos, teremos demanda. Se tivermos demanda, teremos preço. Isso é fácil de entender. O que não é fácil, é implementar o projeto”, disse De Lorenzi.

Perguntado sobre as consequências de uma visão exportadora para os argentinos, - já que a mudança da matriz poderá ter como consequência o aumento dos produtos lácteos para o mercado interno, em um contexto em que a pobreza atinge 55% da população, o consumo está em queda e vem acompanhado da primarização dos produtos lácteos, - o dirigente respondeu:

“Quando forem iniciadas as exportações, é necessário gerir o preço internacional. Atualmente, eles são inferiores aos praticados no mercado interno. É preciso entender a dinâmica. Uma grande parte da composição do preço de hoje é decorrente da oferta, pela redução da produção. Isso significa que, por enquanto, a queda do consumo interno não está atrelada ao impacto sobre o preço, mas em um dado momento o preço terá a tendência de queda, retornando aos níveis históricos. Para projetarmos a exportação, é preciso gerar uma escala exportadora, e assim não haverá problema porque a oferta de leite aparecerá, as fazendas irão melhorar sua produtividade e por consequência haverá leite também para o mercado interno. Não tenho dúvida, se tivermos uma produção plena, os preços aos consumidores deverão ser inferiores aos atuais”.  

Acesse a matéria na íntegra

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